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Cientistas desenvolvem tecnologia para ouvir a “voz interior” de pacientes

Estudo revela que computador decodifica fala interior com alta precisão, levantando preocupações sobre privacidade mental e controle da comunicação

Casey Harrell, que tem esclerose lateral amiotrófica, é voluntário no ensaio clínico de longa duração BrainGate2 e utiliza uma interface cérebro-máquina para conversar com sua família e amigos. (Foto: Ian C. Bates para The New York Times)
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  • Neuroengenheiros desenvolvem interfaces cérebro-máquina para ajudar pessoas com dificuldades de fala, como as afetadas por esclerose lateral amiotrófica (ELA) ou acidente vascular cerebral (AVC).
  • Um estudo publicado na revista Cell decodificou a fala interior de participantes, prevendo palavras imaginadas com precisão de 97,5%.
  • O estudo faz parte do ensaio clínico BrainGate2, onde um participante, após a ELA, teve eletrodos implantados no cérebro para registrar sua atividade elétrica.
  • A pesquisa levantou preocupações sobre privacidade mental, já que o sistema conseguiu decifrar palavras que os participantes não tentavam verbalizar.
  • Para mitigar riscos, os pesquisadores sugerem o uso de uma “senha interior” para ativar a decodificação, permitindo maior controle aos usuários sobre suas comunicações.

Neuroengenheiros estão avançando no desenvolvimento de interfaces cérebro-máquina para auxiliar pessoas com dificuldades de fala, como aquelas afetadas por esclerose lateral amiotrófica (ELA) ou AVC. Um novo estudo, publicado na revista *Cell*, revela que um computador conseguiu decodificar a fala interior de participantes, prevendo palavras apenas imaginadas com precisão aprimorada.

O estudo faz parte do ensaio clínico BrainGate2, que já demonstrou resultados significativos. Um dos participantes, Casey Harrell, implantou eletrodos em seu cérebro após a ELA tornar sua voz ininteligível. Com esses eletrodos, os pesquisadores registraram a atividade elétrica enquanto Harrell tentava pronunciar palavras. O computador, com o auxílio de inteligência artificial, conseguiu prever quase 6 mil palavras com 97,5% de acerto.

A pesquisa levantou preocupações sobre privacidade mental. Erin Kunz, neurocientista da Universidade de Stanford e autora do estudo, questionou se o sistema poderia decodificar palavras que os pacientes não desejavam expressar. Além disso, a equipe explorou se a fala interior poderia ser uma alternativa menos cansativa para os usuários, permitindo uma comunicação mais eficiente.

Avanços e Desafios

Os pesquisadores compararam os sinais cerebrais dos participantes ao tentarem dizer palavras e ao apenas imaginá-las. Os resultados mostraram que imaginar uma palavra gerava um padrão de atividade cerebral semelhante, embora mais fraco. O computador conseguiu identificar corretamente as palavras pensadas, com um participante alcançando uma taxa de acerto superior a 70%.

Kunz destacou que, embora os resultados sejam promissores, a decodificação da fala interior ainda não é suficiente para conversas fluidas. Contudo, ela acredita que essa tecnologia pode se tornar um padrão em interfaces cérebro-computador. Em testes recentes, a precisão e a velocidade da decodificação melhoraram.

Questões Éticas

A pesquisa também abordou a questão da privacidade mental. Em um experimento, o computador decifrou palavras que os participantes não estavam tentando verbalizar. Para mitigar esses riscos, a equipe propôs métodos como a utilização de uma “senha interior” para ativar a decodificação. Essa senha poderia ser uma frase longa e incomum, permitindo que os usuários controlassem o que desejam compartilhar.

Cohen Marcus Lionel Brown, bioeticista da Universidade de Wollongong, considerou o estudo um avanço ético significativo, pois poderia proporcionar aos pacientes maior controle sobre suas comunicações. A pesquisa sugere que a linguagem pode estar envolvida em diversos tipos de pensamento, além da comunicação verbal, ampliando a compreensão sobre a relação entre linguagem e cognição.

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