- O jornalista Paulo de Tarso, de 65 anos, começou a usar ferramentas de inteligência artificial em seu jornal digital, Em Questão, em 2023.
- A tecnologia permitiu que ele reduzisse o tempo de produção de cada edição de três horas para uma.
- Com a pandemia, Tarso enfrentou dificuldades financeiras e passou a trabalhar sozinho, utilizando ferramentas como Copilot, ChatGPT, Gemini e 11JAI.
- Em uma edição recente, todas as 21 matérias foram produzidas com auxílio de IA, gerando debates sobre ética no jornalismo.
- Apesar da eficiência, Tarso enfatiza que a tecnologia não substitui a apuração jornalística e busca garantir a precisão das informações.
Forjado em redações tradicionais, o jornalista Paulo de Tarso, de 65 anos, começou a utilizar ferramentas de inteligência artificial (IA) em seu jornal digital, Em Questão, em 2023. A adoção da tecnologia, inicialmente vista com desconfiança, transformou sua rotina, permitindo que ele reduzisse o tempo de produção de cada edição de três horas para apenas uma.
Com a pandemia, Tarso enfrentou dificuldades financeiras e demissões em sua equipe, levando-o a trabalhar sozinho. A introdução de ferramentas como Copilot, ChatGPT, Gemini e 11JAI possibilitou que ele gerasse textos rapidamente, utilizando releases de assessorias de imprensa e informações disponíveis na internet. Em uma edição recente, todas as 21 matérias foram produzidas com auxílio de IA, levantando debates sobre a ética no jornalismo.
Desafios e Oportunidades
Apesar da eficiência, o uso de IA levanta preocupações sobre a qualidade do conteúdo. Tarso, que considera as máquinas como uma extensão de sua equipe, afirma que a tecnologia não substitui a apuração jornalística. Ele utiliza múltiplas plataformas para garantir a precisão das informações, criando um processo de verificação que envolve diálogo e refinamento dos textos gerados.
A pesquisa JournalismAI revelou que 90% dos jornalistas entrevistados já utilizaram IA em suas atividades, mas 68,3% expressaram receios sobre possíveis demissões. Marcelo Rech, presidente da Associação Nacional de Jornais, observa que a situação atual é semelhante ao impacto das redes sociais no passado, sem uma previsão clara de como o cenário se desenvolverá.
Diretrizes e Ética
A crescente utilização de IA no jornalismo brasileiro também trouxe à tona a necessidade de diretrizes éticas. Em junho de 2024, o Grupo Globo estabeleceu recomendações para o uso responsável da tecnologia, enfatizando a supervisão humana nos conteúdos gerados. No entanto, muitos veículos ainda operam sem regras claras, levando a práticas que podem infringir direitos autorais.
Enquanto isso, Tarso sonha com inovações ainda mais radicais, como a criação de um avatar digital para suas transmissões. Ele acredita que a IA pode enriquecer o jornalismo, desde que utilizada com responsabilidade. A discussão sobre o papel da tecnologia na produção de notícias continua, refletindo um momento de transformação no setor.
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