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Renda básica de US$ 10 mil: a proposta radical para enfrentar os impactos da inteligência artificial

Ex-pesquisador da OpenAI, Miles Brundage defende que apenas uma política ousada pode evitar que a automação em massa agrave desigualdades sociais e políticas

Imagem: Creative Commons
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  • A população teme a substituição de empregos pela inteligência artificial (IA).
  • Miles Brundage, ex-pesquisador de políticas da OpenAI, propõe uma renda básica universal (RBU) de 10 mil dólares por mês para compensar essa perda.
  • Anteriormente, especialistas discutiam valores entre 500 e 1.500 dólares, mas Brundage acredita que uma política mais ousada é necessária.
  • Ele ressalta que a necessidade de debater o tema cresce com o tempo e que os governos terão que adotar essa medida devido à pressão social e econômica da automação.
  • A proposta gera divisões: defensores acreditam que valores altos garantiriam segurança, enquanto críticos questionam a viabilidade fiscal e os impactos sobre a produtividade.

O maior receio da população diante da chegada da inteligência artificial é a substituição. Será que a IA vai acabar com muitos empregos? Pessoas se tornarão obsoletas? Anos de preparação e estudos serão jogados fora? Para Miles Brundage, ex-pesquisador de políticas da OpenAI, essa preocupação não faz tanta diferença, pelo menos para os cidadãos americanos.

A proposta de Brundage é “simples”: uma renda básica universal (RBU) de 10 mil dólares por mês para compensar a perda de empregos causada pelo avanço da tecnologia.

Essa idéia, já debatida anteriormente por especialistas, continha valores mais baixos, entre 500 a 1500 dólares por mês, mas o ex-pesquisador afirmou que apenas uma política ousada poderia acompanhar o ritmo acelerado da IA e reduzir os efeitos sociais da automação em massa.

É fato que, quanto mais o tempo passa, maior se torna a necessidade desse debate. O pesquisador reconhece a complexidade financeira, mas afirma que adiar o debate apenas elevará os custos sociais e políticos mais adiante. Para ele, os governos inevitavelmente terão que adotar a medida diante da pressão social e econômica causada pela automação de serviços humanos.

“US$10 mil por mês serão relevantes para a política pública dentro de alguns anos, com o crescimento impulsionado pela IA”, disse Miles, ao defender que a realidade econômica criada pelo crescimento da IA exigirá cifras muito maiores do que os valores já discutidos.

No entanto, a proposta de Brundage não é unânime e provoca uma intensa divisão de opiniões. Seus defensores argumentam que valores elevados trariam segurança e estabilidade em um cenário de rápida automação, garantindo que milhões de pessoas não fiquem à margem da economia. Já os críticos questionam a viabilidade fiscal de um programa tão ambicioso e alertam que poucos países teriam capacidade orçamentária para sustentá-lo, além de debaterem os impactos de longo prazo sobre produtividade e incentivos ao trabalho.

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