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Produzido em Taubaté, protótipo do carro voador da Embraer realiza primeiro voo no interior de São Paulo

Aeronave elétrica da Eve Air Mobility decolou pela primeira vez na pista da Embraer em Gavião Peixoto e inaugura fase decisiva de testes rumo à operação comercial prevista para 2027.

O futuro da mobilidade aérea urbana deu um passo concreto no Brasil nesta sexta-feira (19). O protótipo do chamado “carro voador” desenvolvido pela Eve Air Mobility, empresa subsidiária da Embraer, realizou seu primeiro voo com sucesso no interior de São Paulo. A aeronave elétrica de decolagem e pouso vertical, conhecida como eVTOL, levantou voo na […]

O futuro da mobilidade aérea urbana deu um passo concreto no Brasil nesta sexta-feira (19). O protótipo do chamado “carro voador” desenvolvido pela Eve Air Mobility, empresa subsidiária da Embraer, realizou seu primeiro voo com sucesso no interior de São Paulo. A aeronave elétrica de decolagem e pouso vertical, conhecida como eVTOL, levantou voo na maior pista de aviação do hemisfério sul, localizada na planta industrial da Embraer em Gavião Peixoto.

O voo inaugural ocorreu no início da manhã e marcou o início oficial da fase de testes em voo do projeto, considerado um dos mais avançados do mundo no segmento de mobilidade aérea urbana. Segundo a Eve, o teste confirmou o desempenho esperado do protótipo e validou sistemas considerados críticos para o desenvolvimento da aeronave.

Durante o voo, os engenheiros avaliaram a integração dos oito propulsores elétricos, o gerenciamento de energia e os níveis de ruído emitidos pela aeronave. De acordo com a empresa, todos os parâmetros monitorados se mantiveram dentro do esperado, reforçando a viabilidade técnica do modelo.

Nova fase de testes

A Eve informou que o voo desta sexta-feira inaugura uma etapa mais ampla de ensaios. Ao todo, a empresa pretende fabricar seis protótipos, que serão utilizados em uma campanha extensa de testes ao longo dos próximos anos. Após o voo pairado inicial, os ensaios devem evoluir gradualmente para voos cada vez mais complexos.

A expectativa é que, ao longo de 2026, os testes avancem para voos totalmente “desarmados”, ou seja, em configurações mais próximas das condições reais de operação comercial. Paralelamente, a empresa trabalha no processo de certificação junto à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), etapa obrigatória para que os eVTOLs possam operar no espaço aéreo brasileiro.

Apesar do avanço, a Eve reforça que os veículos ainda estão em fase experimental e que a entrada em operação depende da conclusão de todos os testes técnicos e regulatórios.

Produção em Taubaté

Os eVTOLs da Eve são produzidos em Taubaté, no interior de São Paulo, em uma planta industrial projetada especificamente para esse tipo de aeronave. A unidade tem capacidade para fabricar até 480 veículos por ano, o que coloca o Brasil em posição estratégica no mercado global de mobilidade aérea urbana.

Popularmente conhecidos como carros voadores, os eVTOLs são veículos elétricos capazes de decolar e pousar verticalmente, sem a necessidade de pistas convencionais. O modelo desenvolvido pela Eve foi projetado para transportar até cinco pessoas — quatro passageiros e um piloto — e possui autonomia estimada de 100 quilômetros.

Essa capacidade permite a realização de trajetos urbanos curtos, como deslocamentos entre centros financeiros, aeroportos, regiões metropolitanas e cidades vizinhas, reduzindo o tempo de viagem em grandes centros urbanos.

Operação prevista para 2027

A Eve prevê iniciar as entregas comerciais dos eVTOLs em 2027, mesmo ano em que pretende dar início às operações regulares com esse tipo de aeronave. Atualmente, a empresa já acumula cerca de 3 mil encomendas do veículo, feitas por operadoras e parceiros em diferentes países.

A projeção da companhia indica que a frota mundial de eVTOLs pode alcançar cerca de 30 mil unidades até 2045. Nesse período, a expectativa é que mais de 3 bilhões de passageiros sejam transportados por esse novo modelo de mobilidade aérea.

Do ponto de vista econômico, a Eve estima que a operação e a venda dos eVTOLs podem gerar uma receita global de aproximadamente US$ 280 bilhões até 2045, o equivalente a mais de R$ 1,5 trilhão na cotação atual.

Investimentos e apoio do BNDES

No início deste mês, a Eve recebeu um empréstimo de R$ 200 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Os recursos estão sendo destinados principalmente à fase de integração dos motores elétricos, à realização de testes do protótipo e à preparação da campanha de certificação junto à Anac.

O apoio financeiro reforça a aposta do banco e do governo brasileiro no desenvolvimento de tecnologias aeronáuticas sustentáveis e de alto valor agregado.

A Eve estreou na Bolsa de Valores de Nova York em 2022 e, desde então, vem ampliando sua base de investidores. Além da Embraer e do BNDES, a empresa conta com aportes de grupos internacionais como United Airlines, BAE Systems, Nidec, Thales e Acciona.

Com o primeiro voo do protótipo realizado em solo brasileiro, o projeto entra em uma fase decisiva. O sucesso dos próximos testes será determinante para consolidar o Brasil como um dos protagonistas globais na corrida pelos carros voadores e pela mobilidade aérea do futuro.

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