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Conheça o aplicativo “anticorrupção” que viralizou no X

Sistema cruza CPF em mais de 70 bases públicas para mapear conexões entre pessoas, empresas e contratos e apontar sinais de risco em gastos do governo.

Conheça o aplicativo que mapeia a corrupção. Imagem: Canal Tech.

Um engenheiro de software brasileiro viralizou ao anunciar uma nova ferramenta. O sistema cruza dezenas de bases públicas do governo. Bruno César, conhecido no X como @brunoclz, criou um sistema que, em segundos, aponta possíveis indícios de irregularidades em gastos, contratos e movimentações financeiras. O aplicativo funciona da seguinte forma: o CPF de um político […]

Um engenheiro de software brasileiro viralizou ao anunciar uma nova ferramenta. O sistema cruza dezenas de bases públicas do governo. Bruno César, conhecido no X como @brunoclz, criou um sistema que, em segundos, aponta possíveis indícios de irregularidades em gastos, contratos e movimentações financeiras.

O aplicativo funciona da seguinte forma: o CPF de um político aparece no TSE, na Receita Federal, no Portal da Transparência e por aí vai. Assim, a ferramenta junta tudo automaticamente e revela ligações suspeitas em segundos, só com dados públicos.

Entre as bases/fontes estão:

  • Portal da Transparência, ComprasNet/PNCP e SIAFI (gastos e contratos públicos)
  • Receita Federal (CNPJ, quadro societário e declarações de bens)
  • Tribunal Superior Eleitoral (TSE) – candidaturas, doações e prestações de contas
  • Controladoria-Geral da União (CGU) – listas de sanções (CEIS, CNEP, CEPIM, CEAF)
  • DATASUS, IBGE, IBAMA, INPE, CVM, Banco Central, INSS, DataJud (CNJ), entre muitas outras.

Entenda o aplicativo

O sistema cria mapas visuais simples (chamados gráficos de rede) que mostram como pessoas, empresas, órgãos públicos e dinheiro estão conectados, como uma teia de aranha onde cada linha é uma relação suspeita.

Imagem: Divulgação X / @brunoclz. 

Imagem: Divulgação X / @brunoclz. 

Exemplos simples:

Auto direcionamento de emendas: um político direciona emendas para uma prefeitura aliada e, depois, essa prefeitura contrata empresas ligadas à família ou a amigos dele.
Mapa: político → emenda → prefeitura → empresa ligada

Discrepância de patrimônio: o político declara poucos bens no TSE, mas empresas associadas a ele aparecem recebendo contratos milionários.
Mapa: bens declarados baixos → CPF → empresas vinculadas → contratos altos

Funcionários fantasma: pessoas constam na folha de pagamento da prefeitura, mas também aparecem empregadas em empresas privadas no mesmo período.
Mapa: servidor → prefeitura + empresa privada

Escolas fantasmas: recursos federais vão para instituições que não existem, não funcionam ou têm endereço inconsistente.
Mapa: verba → entidade → endereço inexistente

Circuito fechado de doações: alguém doa para uma campanha e, depois, a empresa do doador passa a receber contratos públicos, como na área da saúde.
Mapa: doação → campanha → contrato público → empresa do doador

Bruno enfatiza que a ferramenta não acusa crimes diretamente. Ele anunciou ajustes para substituir termos sensíveis (como “corrupção” ou “suspeito”) por scores de risco percentuais, com indicação do valor envolvido e das fontes cruzadas. O objetivo é tornar o produto juridicamente mais seguro.

Após a viralização, Bruno esclareceu que o projeto faz parte do movimento br/acc (Brazilian Accelerationism), inspirado no effective accelerationism: a crença de que tecnologias como IA, dados abertos e automação podem resolver problemas sistêmicos (burocracia, corrupção, ineficiência) mais rápido do que as instituições tradicionais.

Ele reforçou que não há viés político: “br/acc não é sobre esquerda ou direita. Pau que bate em Chico bate em Francisco”. O foco, segundo ele, é a transparência usando apenas dados já públicos e acessíveis a qualquer cidadão.

Próximos passos

  • Após os ajustes finais, Bruno pretende consultar advogados e liberar o código como open-source, permitindo preferencialmente que jornalistas, ONGs, pesquisadores e órgãos de controle usem ou melhorem a ferramenta.
  • Ele mencionou a necessidade de servidores potentes para consultas rápidas e abriu discussão sobre formas de custeio, como doações.
  • Nos próximos dias, planeja liberar acesso beta para jornalistas, ONGs e entidades de transparência.

Repercussão

A iniciativa gerou reações mistas, desde elogios pela ousadia e potencial, até alertas sobre riscos jurídicos (como privacidade e direito ao contraditório) e questionamentos sobre o que acontece quando os dados apontam irregularidades graves. 

Para acompanhar em tempo real, o perfil @brunoclz no X é a fonte principal, onde ele tem postado atualizações diárias desde o anúncio.

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