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Um gigante adormecido: por que o mercado ainda usa apenas uma fração do potencial da IA

Tecnologia poderia otimizar a execução de atividades em várias áreas.

Imagem: Anthropic / Divulgação

Enquanto cresce o debate sobre o risco de a inteligência artificial substituir trabalhadores, um novo estudo sugere que o problema, por enquanto, pode ser outro: a tecnologia ainda está sendo usada muito abaixo do que poderia.. Pesquisadores ligados à Anthropic criaram uma medida chamada Exposição Observada, que tenta mostrar a diferença entre o verdadeiro potencial […]

Enquanto cresce o debate sobre o risco de a inteligência artificial substituir trabalhadores, um novo estudo sugere que o problema, por enquanto, pode ser outro: a tecnologia ainda está sendo usada muito abaixo do que poderia.. Pesquisadores ligados à Anthropic criaram uma medida chamada Exposição Observada, que tenta mostrar a diferença entre o verdadeiro potencial de ação da IA  e o que ela realmente faz no dia a dia de trabalho.

A principal conclusão do estudo é que existe uma grande diferença entre a capacidade teórica da IA e seu uso real. Na área de Computação e Matemática, por exemplo, a tecnologia já teria condições de acelerar ou executar 94% das tarefas. Mesmo assim, o uso prático identificado pelos pesquisadores chega a apenas 33%.

Entraves legais e falta de conhecimento são alguns dos motivos para que a IA não seja aproveitada em máxima potência. O estudo cita casos como a renovação de receitas médicas, algo que a IA poderia ajudar a fazer na teoria, mas que quase não acontece por causa de regras legais, exigências regulatórias e da necessidade de supervisão humana.

Os autores também lembram que muitas profissões só mudam de verdade quando a tecnologia consegue otimizar a execução de muitas  tarefas relacionadas àquele trabalho. Enquanto ainda existirem funções que dependem exclusivamente de pessoas, a ocupação tende a continuar existindo.

Quais são as profissões mais afetados?

 Enquanto outra formas de atuação atinge mais os trabalhos manuais, a IA generativa afeta principalmente profissões de escritório, muitas delas com salários mais altos.

O estudo mostra que os profissionais mais expostos costumam ter nível de escolaridade mais alto e renda maior. Pessoas com pós-graduação, por exemplo, têm quase quatro vezes mais chance de estar no grupo mais afetado pela IA. Em média, esses trabalhadores também ganham mais do que os profissionais com pouca ou nenhuma exposição à tecnologia.

A pesquisa também aponta diferenças no perfil desse grupo. Entre os trabalhadores mais expostos, há uma presença maior de mulheres, de pessoas de origem asiática e de profissionais casados.

No topo da lista de uso real da IA aparecem ocupações como programadores de computador, atendentes de suporte ao cliente e digitadores de dados. Do outro lado, cerca de 30% da força de trabalho está em ocupações com exposição zero, como cozinheiros, mecânicos e salva vidas. Em muitos desses casos, a tecnologia ainda não consegue substituir tarefas práticas ou que exigem atuação física direta.

O que isso significa para o emprego

Para testar se essa nova métrica funciona, os autores compararam a Exposição Observada com projeções de emprego do governo dos Estados Unidos. O resultado mostra que, a cada 10 pontos percentuais de aumento na exposição à IA, a previsão de crescimento dessas ocupações na próxima década cai 0,6 ponto percentual.

Segundo os pesquisadores, isso sugere que o uso real da IA pode ser um sinal mais confiável do que apenas olhar para o potencial técnico da ferramenta. Em outras palavras, o que importa mais para o mercado não é só o que a IA poderia fazer, mas o que ela já está fazendo de fato.

O alerta para os jovens

O dado mais alarmante do relatório envolve os jovens de 22 a 25 anos. Nessa faixa etária, as novas contratações caíram 14% nas profissões mais expostas à IA.

Isso indica que a tecnologia pode não estar provocando demissões em massa neste momento, mas já pode estar reduzindo as vagas de entrada. São justamente essas vagas que costumam servir como primeiro passo para quem está começando a carreira.

Mudança gradual

Os autores concluem que o impacto da IA no mercado de trabalho deve ser gradual. Enfatizam que  mudança tende a ser mais parecida com a chegada da internet ou com transformações econômicas que levaram anos para aparecer, e não com um choque rápido como o da pandemia.

A tendência é que, com o tempo, o uso real da IA cresça à medida que barreiras técnicas e legais forem diminuindo. Quando isso acontecer, a tecnologia deve começar a ocupar um espaço cada vez maior no trabalho, se aproximando do potencial que já comprova. 

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