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Startup cria “baratas ciborgues” com inteligência artificial para missões militares

Insetos equipados com sensores e inteligência artificial podem virar ferramentas de reconhecimento em missões militares e operações de resgate.

Imagem: Swarm-biotactics

O avanço acelerado da inteligência artificial vem transformando diversas áreas da sociedade, desde a capacidade de automatizar tarefas que antes dependiam do trabalho humano até a maneira como governos pensam segurança e defesa. No setor militar, essa mudança tem sido especialmente rápida. Startups de tecnologia passaram a disputar espaço com os tradicionais gigantes da indústria […]

O avanço acelerado da inteligência artificial vem transformando diversas áreas da sociedade, desde a capacidade de automatizar tarefas que antes dependiam do trabalho humano até a maneira como governos pensam segurança e defesa.

No setor militar, essa mudança tem sido especialmente rápida. Startups de tecnologia passaram a disputar espaço com os tradicionais gigantes da indústria bélica.

Dentro desse contexto de inovação, surgem propostas cada vez mais incomuns, envolvendo até organismos vivos.

Uma startup alemã, chamada SWARM Biotactics (fundada em 2024 em Kassel, com filial em San Francisco), começou a desenvolver baratas equipadas com sensores, eletrônica miniaturizada e inteligência artificial, capazes de atuar como plataformas de reconhecimento em ambientes onde drones e robôs tradicionais não conseguem operar.

Em fevereiro de 2026, o CEO Stefan Wilhelm anunciou que os sistemas já foram testados em campo na Europa e nos Estados Unidos e estão operacionais com clientes pagantes da OTAN, incluindo o Bundeswehr (Exército Alemão). “Há um ano isso não existia. Hoje nós implantamos enxames de insetos ciborgues programáveis, testados em campo e operacionais com clientes pagantes da OTAN”, declarou Wilhelm em post no LinkedIn.

Entre os componentes usados nesses sistemas estão:

  • sensores ambientais
  • microcâmeras e microfones
  • módulos de comunicação sem fio segura (criptografada)
  • interfaces neurais que influenciam o movimento do inseto
  • pequenos processadores com algoritmos de inteligência artificial (edge AI)

Esses elementos permitem que o inseto se mova de forma natural enquanto coleta informações do ambiente. O controle pode ocorrer de forma remota ou parcialmente automatizada por algoritmos.

Como funciona a tecnologia

Eles utilizam a barata sibilante de Madagascar (Madagascar hissing cockroach), espécie conhecida pelo tamanho relativamente grande (cerca de 5-8 cm) e pela capacidade de suportar pequenos equipamentos.

Esses insetos apresentam características úteis para aplicações tecnológicas:

  • conseguem carregar cargas de até 3-15 gramas sem perder mobilidade
  • toleram ambientes hostis (calor, poeira, radiação, fumaça)
  • movem-se com facilidade em terrenos irregulares, fendas de 1-2 cm, ruínas, tubos e escombros

Os dispositivos instalados no inseto costumam pesar apenas 10-15 gramas e são fixados como uma pequena “mochila” contendo sensores e sistemas de comunicação. Além disso, eletrodos ou placas de estimulação interagem com o sistema nervoso do animal. Pulsos elétricos de baixa intensidade ajudam a induzir mudanças de direção ou comportamento.

Imagem: SWARM Biotactics

O CEO descreve o processo como “um empurrãozinho na direção certa”, alegando que é indolor e que os insetos precisam estar saudáveis para cumprir missões.

Coordenação por inteligência artificial

A tecnologia não se limita ao controle de um único inseto. Sistemas baseados em inteligência de enxame permitem que dezenas ou centenas de indivíduos atuem de forma coordenada. 

Nesse modelo, algoritmos podem:

  • distribuir funções entre diferentes insetos (ex.: um com câmera, outro com radar)
  • organizar deslocamentos coletivos e mapeamento autônomo
  • processar parte dos dados localmente (edge computing) antes de enviá-los, reduzindo transmissão e aumentando eficiência

Vantagens operacionais

Um dos principais argumentos em favor dessa abordagem é a capacidade de acessar ambientes extremamente difíceis para máquinas tradicionais. Entre os benefícios apontados pela empresa e por pesquisadores estão:

  • movimentação eficiente em espaços muito pequenos, túneis curvos e escombros colapsados
  • baixo consumo de energia, já que o próprio organismo fornece a locomoção (a bateria só alimenta eletrônicos)
  • dificuldade de detecção visual, sonora ou térmica em operações discretas (assinatura quase zero)
  • escalabilidade biológica: populações maiores são criadas por reprodução em laboratório, não por fabricação industrial cara e lenta

Por essas características, os insetos modificados podem ser úteis em cenários como infraestruturas subterrâneas, áreas destruídas ou zonas de conflito urbano, focando especialmente nos “últimos 50 metros” de reconhecimento.

Possíveis aplicações fora do setor militar

Apesar do interesse inicial das forças de defesa, a tecnologia pode ter usos civis importantes.

  • Busca e resgate: Após terremotos ou desabamentos, insetos equipados com sensores poderiam localizar pessoas presas em escombros, mapear estruturas instáveis e transmitir dados ambientais (incluindo químicos ou acústicos) para equipes de resgate.
  • Inspeção industrial: Outro possível uso seria a inspeção de locais de difícil acesso, como tubulações, sistemas de ventilação, tanques industriais ou instalações nucleares.

Questões éticas e legais

O uso de organismos vivos em sistemas de vigilância levanta uma série de discussões éticas e jurídicas. Entre as principais preocupações apontadas pelos críticos está o bem-estar animal, mesmo com alegações de que o estímulo é indolor e os insetos são bem cuidados.

Também há questionamentos sobre a ausência de um marco regulatório específico para sistemas de bio-robótica, já que a legislação atual (incluindo convenções de guerra) não contempla plenamente tecnologias que combinam organismos vivos e dispositivos eletrônicos. 

Outro ponto de atenção é o risco de uso indevido dessa tecnologia em operações de vigilância clandestina ou monitoramento não autorizado, especialmente por sua natureza silenciosa e indetectável.

A SWARM Biotactics, que levantou €13 milhões em funding e conta com mais de 40 engenheiros, defende que o foco é em aplicações defensivas e de resgate. No entanto, o rápido avanço, de conceito a implantação operacional em menos de dois anos, mostra como a fronteira entre biologia, IA e defesa está se movendo depressa.

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