Já pensou em ter a sua caçada por Pokémon transformada em material para inteligência artificial? É isso que está acontecendo por conta da Niantic, empresa responsável por Pokémon Go, uma das maiores febres entre os jogos de celular da história e que levou milhões de pessoas a saírem de casa para capturar pokémons dentro do […]
Já pensou em ter a sua caçada por Pokémon transformada em material para inteligência artificial? É isso que está acontecendo por conta da Niantic, empresa responsável por Pokémon Go, uma das maiores febres entre os jogos de celular da história e que levou milhões de pessoas a saírem de casa para capturar pokémons dentro do jogo.
Niantic e o acordo com empresa de IA
No dia 10 de março de 2026, o braço de inteligência artificial da empresa, a Niantic Spatial, firmou uma parceria com a Coco Robotics, empresa americana que desenvolve robôs autônomos para entregas.
Com isso, a Niantic reuniu mais de 30 bilhões de imagens captadas por usuários durante partidas de Pokémon e em outros aplicativos da empresa para alimentar o sistema de posicionamento visual, o VPS, usado na navegação de robôs de entrega.
Esse material ajuda a ensinar os robôs a reconhecer calçadas, monumentos, esquinas e pontos de referência da forma como os humanos enxergam o espaço.
Segundo a própria Niantic, seu modelo geoespacial já reúne 10 milhões de locais escaneados no mundo, com mais de 1 milhão deles ativos no VPS, e a empresa afirma ainda ter treinado mais de 50 milhões de redes neurais com esse material.
A Niantic não se limitou a fornecer imagens para robôs de entrega, o objetivo é saber com precisão onde cada elemento está no mundo real.
Em áreas urbanas densas, o GPS costuma falhar, perder precisão ou sofrer interferência entre prédios. Já o VPS usa referências visuais do ambiente para identificar posição e orientação com precisão de centímetros, algo muito mais útil para um robô que precisa parar no ponto exato da calçada, reconhecer uma entrada ou chegar a uma área de retirada sem se perder.
Além disso, a empresa também quer criar uma espécie de mapa vivo e digital do planeta, uma simulação rica em detalhes pensada para que as máquinas compreendam o mundo físico.
A própria Niantic Spatial descreve isso como um Large Geospatial Model (LGM), uma base criada para que robôs, óculos de realidade aumentada, drones e sistemas de IA consigam se localizar, entender o ambiente e agir nele.
Na prática, esse mapa reúne três funções ao mesmo tempo: reconstruir ambientes em 3D, localizar pessoas ou máquinas com precisão de centímetros e interpretar o espaço de forma semântica, ao reconhecer o que existe ali e qual é o contexto daquele local.
O nome Mapa Vivo surge justamente para representar o mundo real, que está sempre mudando e varia conforme a luz, o clima, o ângulo e a circulação. Em vez de um mapa estático, com ruas e nomes, a empresa quer criar uma estrutura capaz de incorporar essas variações que interferem na forma como cada lugar se apresenta em diferentes dias e momentos.
Os usuários entregaram suas imagens sem consentimento?
Porém, essas imagens não foram captadas nem armazenadas de forma automática, sem o consentimento dos jogadores, enquanto os pokémons eram capturados. Essa base foi formada a partir da função de escaneamento em RA, sigla para realidade aumentada, lançada em 2020, disponível apenas para usuários a partir do nível 20 e que exigia uma ação voluntária para escanear um local específico.
Dentro do próprio jogo, havia um aviso informando que o escaneamento ajudava no desenvolvimento de tecnologia de mapeamento em realidade aumentada e que os dados poderiam ser compartilhados com serviços de terceiros.
Mas, mesmo com essa participação opcional, muita gente provavelmente não imaginava que um escaneamento feito para ganhar recompensas no jogo pudesse, anos depois, virar infraestrutura para robôs e produtos de IA espacial.
Esse é o ponto central da polêmica. Não se trata de a Niantic ter gravado tudo às escondidas em segundo plano, mas do uso futuro desses dados parecer bem mais amplo e comercial do que muitos jogadores provavelmente imaginavam na época.
A própria Niantic afirma que “andar por aí jogando” não equivale, por si só, a treinar IA, e diz ainda que seu sistema também usa dados de outras fontes, como robôs, drones e satélites.
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