A humanidade vai voltar à Lua após mais de meio século desde a última missão. A NASA prepara a Artemis II, primeiro voo de teste tripulado do programa, com duração prevista de cerca de 10 dias. A missão levará quatro astronautas para um sobrevoo ao redor do satélite natural, sem pouso. A missão estava prevista […]
A humanidade vai voltar à Lua após mais de meio século desde a última missão. A NASA prepara a Artemis II, primeiro voo de teste tripulado do programa, com duração prevista de cerca de 10 dias. A missão levará quatro astronautas para um sobrevoo ao redor do satélite natural, sem pouso.
A missão estava prevista para novembro de 2024, mas sofreu uma série de adiamentos desde então e foi remarcada para fevereiro de 2026, depois para março de 2026 e, agora, para 1º de abril.
O lançamento está previsto para às 19h24, no horário de Brasília, na plataforma 39B do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, no sul dos Estados Unidos. A tentativa terá uma janela de duas horas e poderá ser adiada até o dia 6 ou para outras datas já reservadas para a realização do voo, caso não ocorra como previsto.
O voo poderá ser acompanhado ao vivo pelos canais oficiais da NASA no YouTube, NASA+, X, Facebook e Twitch. Em português, a transmissão também estará disponível em veículos como CNN Brasil e Olhar Digital.
O foco principal da missão é validar, com tripulantes a bordo, os sistemas da cápsula Orion e do foguete Space Launch System (SLS), além de testar procedimentos essenciais de sobrevivência no espaço profundo.
Tripulação do voo enfrenta espaço pequeno e rotinas pesadas
A Artemis II vem na sequência da Artemis I, teste não tripulado lançado em novembro de 2022. A missão anterior mostrou que a cápsula Orion conseguiu ir até a Lua e voltar à Terra, o que abriu caminho para o próximo passo, agora com astronautas.
Os quatro astronautas da Artemis II passam por uma preparação descrita como “intensa e exaustiva”. A cápsula Orion, que servirá de “casa” por cerca de 10 dias, tem apenas 9 metros cúbicos de volume interno, o equivalente a aproximadamente duas vans pequenas.
Desde 2023, a tripulação treina em simuladores que reproduzem a rotina a bordo da Orion. Os exercícios incluem tarefas básicas, como alimentação e sono, além da operação de sistemas vitais.
Entre os cenários simulados, os astronautas treinam a perda total de comunicação com o controle da NASA, situação prevista durante a passagem pelo lado oculto da Lua.
A preparação inclui ainda voos em jatos supersônicos, estudos de geologia em ambientes de clima extremo e longos períodos em tanques de águas profundas, usados para simular a microgravidade e a dificuldade de locomoção com trajes espaciais.
Antes do lançamento, os astronautas passam por uma quarentena, protocolo que reduz o risco de doenças a bordo. Com o adiamento para março, essa etapa foi interrompida e deve ser retomada mais perto da nova janela.
O que são o SLS e Orion
O Space Launch System é um mega-foguete de 98 metros, classificado pela NASA como o mais poderoso já construído pela agência, com 4 milhões de quilos de empuxo, o equivalente a 14 aviões Boeing 747. O veículo também conta com dois propulsores laterais e quatro motores RS-25.
No topo está a cápsula Orion, projetada para suportar as condições do espaço profundo. O módulo de tripulação comporta quatro pessoas e reúne sistemas de suporte de vida, painéis de controle e janelas para observação da Terra e da Lua.
Uma das partes mais importantes é o Módulo de Serviço Europeu, construído pela Agência Espacial Europeia em parceria com a Airbus, na Alemanha. Ele fornece propulsão, energia elétrica por meio de painéis solares, controle térmico, água e gases respiráveis, como oxigênio e nitrogênio.
A Orion também conta com um sistema de escape no topo, capaz de afastar rapidamente o módulo de tripulação do foguete em caso de emergência durante a decolagem.
Como a missão funciona
A Artemis II começa com a decolagem do SLS a partir do Centro Espacial Kennedy, na Flórida. Após o lançamento, a Orion entra em órbita terrestre e permanece ali por cerca de um dia, período reservado para checagens dos sistemas ainda perto da Terra.
Nesse período, a tripulação assume o controle manual da cápsula e pilota a Orion nas proximidades de uma parte do foguete já separada. As manobras simulam aproximações necessárias em missões futuras, inclusive em operações perto de estruturas no espaço, como a estação lunar Gateway.
Ao se aproximar da Lua, a Orion vai passar entre 6.400 e 9.600 quilômetros acima da superfície. Um dos momentos mais delicados ocorre quando a cápsula cruza o lado oculto do satélite, a parte que não fica voltada para a Terra. Nesse trecho, a tripulação deve ficar sem contato com o controle da NASA por 30 a 50 minutos e, mesmo assim, precisa registrar imagens e vídeos da superfície para análises.
Depois de contornar a Lua, a Orion deve seguir por cerca de 7.500 quilômetros além do lado oculto do satélite. Se isso se confirmar, a missão vai superar a marca da Apollo 13 e levar humanos ao ponto mais distante da Terra já alcançado.
Ao longo do percurso, a rota deve desenhar um caminho parecido com um “8” no espaço. No total, o plano prevê mais de 2 milhões de quilômetros de viagem.
Para voltar, a missão deve usar uma rota de “retorno livre”, em que a gravidade ajuda a trazer a nave de volta à Terra, com pouco uso dos motores, o que também reduz a necessidade de combustível.
Na reentrada, a Orion deve atingir cerca de 40 mil quilômetros por hora, e o escudo térmico precisa suportar temperaturas em torno de 3.000 graus Celsius. Depois, a cápsula cai no Oceano Pacífico com a ajuda de uma sequência de paraquedas, e a recuperação fica a cargo da NASA.
Quais são os astronautas e o que a missão pretende provar
A tripulação reúne três astronautas dos Estados Unidos e um do Canadá. Reid Wiseman será o comandante, Victor Glover, o piloto, e Christina Hammock Koch e Jeremy R. Hansen atuarão como especialistas da missão.
Koch será a primeira mulher a participar de uma missão ao redor da Lua organizada pela NASA, e Glover será o primeiro homem negro na tripulação. Os três astronautas da agência já têm experiência na Estação Espacial Internacional, enquanto Hansen fará seu primeiro voo espacial.
A missão pretende confirmar, com pessoas a bordo, o funcionamento de sistemas essenciais no espaço profundo, como suporte de vida, comunicação, navegação e controle manual.
O plano inclui testes de emergência, uso de um abrigo contra radiação, participação em experimentos científicos e observação da Lua.
A campanha Artemis, no entanto, vai além do sobrevoo. A NASA apresenta as missões como parte de uma nova fase de exploração e inovação, com a ideia de conhecer mais da Lua e abrir caminho para metas futuras, como uma presença mais duradoura no espaço profundo.
A previsão é que a Artemis III, planejada para não antes de 2027 ou 2028, leve astronautas de volta à superfície lunar pela primeira vez desde a Apollo 17, em 1972. O pouso deve ocorrer no polo sul da Lua.
O diferencial da Artemis II está justamente no voo tripulado e no teste de um novo sistema de lançamento, depois da aposentadoria dos ônibus espaciais.
Entre na conversa da comunidade