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Conheça os dois cientistas brasileiros que entraram na lista das 100 pessoas mais influentes de 2026 

Mariangela Hungria e Luciano Moreira foram reconhecidos por pesquisas na área da agricultura e no combate à dengue.

Fotos: Reprodução/Facebook e Divulgação/Embrapa

Na última quarta-feira (15), a revista Time divulgou a edição de 2026 da sua tradicional lista das 100 pessoas mais influentes do mundo, uma das seleções mais aguardadas nos universos das celebridades, da inovação e das personalidades em destaque. Nesta edição, a lista reuniu três brasileiros, o maior número do país em uma única edição, […]

Na última quarta-feira (15), a revista Time divulgou a edição de 2026 da sua tradicional lista das 100 pessoas mais influentes do mundo, uma das seleções mais aguardadas nos universos das celebridades, da inovação e das personalidades em destaque.

Nesta edição, a lista reuniu três brasileiros, o maior número do país em uma única edição, em empate com 2012, quando apareceram Dilma Rousseff, Graça Foster e Eike Batista. Em 2026, os nomes brasileiros foram o ator Wagner Moura, que estampou uma das capas da publicação, além dos cientistas Luciano Moreira e Mariangela Hungria. 

Segundo a revista, Wagner Moura entrou na lista  pelo impacto de seu papel em O Agente Secreto, filme ambientado durante a ditadura no Brasil e que ganhou repercussão internacional, além de um perfil que, para a revista, combina charme discreto e uma presença que remete à velha Hollywood. 

Já os dois cientistas foram incluídos na lista por causa de pesquisas promissoras e inovadoras, que você conhece mais a seguir

Mariângela e a esperança de uma agronomia menos tóxica

Mariangela Hungria, de 68 anos, é engenheira agrônoma, mestre em Solos e Nutrição de Plantas, com formação pela ESALQ-USP e pela UFRRJ. Ao longo da carreira, tornou-se a primeira mulher a presidir a Sociedade Brasileira de Ciência do Solo e reuniu mais de 500 publicações científicas. 

Há mais de 40 anos, ela atua como pesquisadora e se consolidou como referência mundial em microbiologia do solo e fixação biológica de nitrogênio. Atualmente, trabalha na Embrapa Soja e também leciona na Universidade Estadual de Londrina (UEL). 

Na revista Time, ela apareceu na seção “Pioneiros”, dedicada a personalidades reconhecidas por abrir novos caminhos e liderar avanços científicos que mudam a forma como entendemos ou fazemos alguma coisa.

O trabalho que garantiu sua presença na lista das 100 pessoas mais influentes foi a pesquisa sobre fixação biológica de nitrogênio. Ela estudou bactérias que ajudam as plantas a obter nitrogênio de forma natural, em vez de depender apenas de fertilizantes produzidos industrialmente nas plantações. 

O mérito de Hungria não esteve apenas no estudo em laboratório, mas também na seleção de cepas, no desenvolvimento de inoculantes e na aplicação dessa tecnologia em escala agrícola tropical, especialmente no cultivo de soja, feijão e outras culturas.

Ela foi pioneira no uso de rizóbios, bactérias que ajudam no fornecimento de nitrogênio, e também no estudo da bactéria Azospirillum brasilense, capaz de ampliar a absorção desse nutriente e de substâncias que estimulam o crescimento das plantas. 

A combinação das duas bactérias ajudou a ampliar os ganhos de produtividade e, segundo a World Food Prize, mais de 70 milhões de doses desses inoculantes combinados já são aplicadas em cerca de 15 milhões de hectares por ano no Brasil. A entidade também destacou que a cientista desenvolveu o primeiro inoculante para pastagens, com aumento de 22% na biomassa. 

Um estudo de 2023, do qual ela é coautora, estimou que a fixação biológica de nitrogênio na soja brasileira evitou, apenas na safra de 2019/2020, um gasto equivalente a US$ 15,2 bilhões em ureia e a emissão de 183 milhões de toneladas de CO₂e. 

Segundo a revista Time, 85% da soja brasileira já é cultivada com esses microrganismos, em vez de fertilizantes sintéticos. 

Todos esses pontos transformaram a pesquisadora não em uma figura isolada que mudou sozinha o mundo agrícola, mas em uma peça central, talvez a principal, de um ecossistema científico e institucional mais amplo, com contribuição própria e concreta no desenvolvimento de cepas, inoculantes, validação agronômica e difusão tecnológica. 

Luciano Moreira e o enfraquecimento do mosquito da dengue

O próximo cientista, Luciano Moreira, também é engenheiro agrônomo formado pela UFV, onde concluiu o mestrado em Fitotecnia e o doutorado em Genética e Melhoramento de Plantas em parceria com o CPRO-DLO, instituto de pesquisa holandês voltado à agricultura. Depois, realizou pós-doutorado na Case Western Reserve University.

O cientista e biólogo é atualmente CEO da Wolbito do Brasil, uma joint venture da Fiocruz com o World Mosquito Program, em Curitiba, onde comanda a maior biofábrica de mosquitos do mundo. 

Ele entrou na seção de Inovadores da lista, que reúne nomes reconhecidos por transformar suas áreas de atuação com ideias pioneiras, tecnologias ou métodos que mudam a forma como vivemos e trabalhamos.

O que garantiu sua entrada na lista da Time foi a pesquisa com a bactéria Wolbachia aplicada ao Aedes aegypti. A proposta é manter o mosquito em circulação, mas fazer com que, ao carregar essa bactéria, ele tenha muito mais dificuldade para transmitir vírus como dengue, zika e chikungunya.

O primeiro artigo sobre o tema foi publicado em 2009 e marcou a época ao mostrar que a Wolbachia não apenas encurtava a vida do mosquito, mas também reduzia diretamente sua capacidade de carregar vírus. 

A pesquisa ajudou a mudar a lógica do combate à dengue, porque, em vez de focar apenas na eliminação do mosquito, abriu caminho para uma estratégia baseada na substituição da população local por mosquitos menos propensos à transmissão. 

Além da pesquisa, ele conduziu o método Wolbachia da descoberta científica ao impacto na saúde pública no Brasil. A Time destacou que ele levou o projeto ao país em 2012, ajudou a reunir evidências e também atuou na construção de confiança pública para viabilizar a aplicação da tecnologia em larga escala. 

Um estudo publicado na PLOS Neglected Tropical Diseases mostrou que a libulação de mosquitos com Wolbachia esteve associada a uma redução de 69,4% nos casos de dengue na área total analisada, em Niterói, com quedas que variaram de 46% a 75,9%, conforme a região. 

Já o Ministério da Saúde informou, em 2025, que Niterói havia reduzido em 88,8% os casos de dengue com o método, enquanto o World Mosquito Program registrou que os monitoramentos mais recentes apontaram um índice próximo de 89%. 

Luciano, na prática, ajudou a transformar uma ideia científica em uma política de saúde pública com resultados comprovados, além de impulsionar uma nova forma de combate à dengue de maneira mais eficaz. 

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