- A pesquisa TIC Domicílios 2025 aponta que mais de oitenta por cento da população entre sessenta e sessenta e nove anos tem celular, índice menor entre setenta a setenta e nove anos (66%) e abaixo de trinta e cinco por cento entre octogessários, mas muitos não dominam funções básicas.
- O casal de engenheiros aposentados Maria Helena e Tarcísio Cabral, ambos com setenta anos, criou o perfil 60demais para ensinar idosos online; hoje soma cerca de cento e setenta mil seguidores e é referência em inclusão digital.
- Eles aprenderam a gravar, editar e publicar vídeos sozinhos e defendem uma didática que respeite o ritmo e os referenciais de idade, em vez de usar a linguagem de quem nasceu na era digital.
- Entre as sugestões estão reservar minutos diários para explorar uma função do celular, pausar antes de clicar em links, escolher tarefas para fazer sozinho e usar o celular como assistente pessoal para organizar compromissos, medicamentos e ideias.
- O texto convida o leitor a enviar ideias sobre como promover a inclusão digital para idosos, por meio de um formulário.
O acompanhamento da evolução tecnológica avança, mas ainda enfrenta barreiras para a população idosa. A falta de inclusão digital pode transformar-se em exclusão, especialmente para quem tem menos familiaridade com smartphones e sistemas públicos online. A tensão ficou evidente em colunas e relatos de leitores que mencionam a dificuldade de lidar com novas tecnologias.
Dados de uma pesquisa recente reforçam o cenário. Segundo o TIC Domicílios 2025, mais de 80% dos brasileiros entre 60 e 69 anos têm celular, mas muitos não dominam as funções do aparelho. Entre 70 e 79 anos, esse percentual cai para 66%, e acima de 80 anos, para 35%. A curva aponta distância entre posse de dispositivo e domínio de uso.
Casal que ensina idosos
Maria Helena e Tarcísio Cabral, ambos com 70 anos, deixaram de ser apenas usuários para se tornar educadores digitais. A dupla é responsável pelo perfil 60demais, que já reúne cerca de 170 mil seguidores. O projeto é citado como referência em inclusão digital para idosos.
Maria Helena conta que o casal precisou aprender do zero a gravar, editar e publicar vídeos, tudo de forma independente. Eles destacam que a didática deve respeitar o ritmo e as referências da faixa etária, evitando linguagem típica de jovens digitais.
O que eles recomendam
Entre as sugestões práticas estão reservar minutos diários para explorar uma função do celular, pausar antes de clicar em links duvidosos e realizar tarefas de forma autônoma. Também sugerem transformar o celular em um assistente pessoal para organizar compromissos, medicamentos e ideias.
Perspectivas para políticas públicas
Especialistas destacam a necessidade de ações contínuas de inclusão digital voltadas a idosos e de alinhamento entre serviços públicos e plataformas digitais. O objetivo é reduzir barreiras, facilitar acessos e tornar os processos burocráticos mais compreensíveis para essa parcela da população.
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