In Jember, na Indonésia, a safra de café deste ano deve ficar abaixo de 1 tonelada para o agricultor Saturi, em contraste com cerca de 2,5 toneladas esperadas em tempos normais. A seca prolongada, associada ao El Niño, derruba a produção.
O fenômeno climático elevou temperaturas e reduziu a umidade no leste de Java, afetando plantações de robusta. A estimativa para o país é a menor em mais de uma década, com agricultores atribuindo a queda ao clima extremo.
Impacto local
Saturi cuida de 3.200 pés de café robusta em um terreno de encosta. No decorrer do ano, a colheita costuma ocorrer em três momentos, com dias entre as passagens. Desta vez, muitas flores não sobreviveram.
O produtor relata que o cenário é agravado pela escassez de insumos, como fertilizantes, e pelos custos elevados. Mesmo quando disponíveis, os preços dificultam o manejo da lavoura.
Contexto climático
Especialistas destacam que El Niño pode reduzir a disponibilidade de área apta para cultivo, principalmente em baixadas, onde a sombra é menor. Estima-se que um terço das árvores possa enfrentar dificuldades neste ciclo.
Dados oficiais indicam queda de produção em várias regiões lucrativas de café. A BMKG prevê a continuidade do El Niño até 2024, elevando a preocupação entre produtores de Jember.
Perspectivas dos produtores
Saturi antecipa que a colheita deste ano deve ser pela metade em relação ao registrado anteriormente. Ele comenta que as flores secaram e as folhas murcharam, sinais de estresse hídrico nas plantações.
Diante do cenário, agricultores buscavam diversificação, incluindo plantação de mamão de rápido crescimento, ainda que sob calor intenso as árvores também apresentem problemas de manejo e viabilidade.
Conclusões técnicas
Institutos de pesquisa apontam que mudanças climáticas podem reduzir substancialmente áreas cultiváveis de café em várias regiões do mundo, com impactos sobre a produtividade e a renda dos agricultores.
Na Indonésia, o ritmo de recuperação de plantios é lento, em meio a desafios de produtividade frente a economias vizinhas. As autoridades e o setor devem acompanhar de perto as variações climáticas e as políticas de apoio aos produtores.
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