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Empresas abandonam projetos de energia renovável no Brasil devido a baixo retorno

Crescimento da energia renovável no Brasil é ameaçado por revogações de outorgas e problemas de infraestrutura, impactando investimentos.

Torres eólicas do Complexo Eólico Ventos de Santa Eugênia, em Uibaí, na Chapada Diamantina (Foto: Rafaela Araújo - 9.mar.2025/Folhapress)
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Após quase duas décadas de crescimento, a geração de energia renovável no Brasil enfrenta uma crise. Empresas como Enel e Auren Energia solicitaram a revogação de outorgas de projetos de energia solar e eólica, citando problemas de conexão à rede e baixa atratividade econômica. Esse cenário reflete um descompasso entre as expectativas de retorno e a realidade do setor.

Nos últimos meses, aumentaram os pedidos de revogação, com a Enel Brasil desistindo de quase 1.500 megawatts (MW) de capacidade instalada em estados como Bahia e Ceará. O presidente da Enel Green Power, Bruno Riga, destacou que a falta de conexão disponível para escoamento da energia tem postergado o retorno dos investimentos em média em cinco anos. Na Bahia, os cortes de geração nas usinas solares chegam a 35% do que era previsto.

Desistências e Desafios

A Auren Energia também revogou outorgas de cinco usinas eólicas, totalizando 159,6 MW, devido à inviabilidade econômica. A empresa citou dificuldades na negociação da energia gerada, tanto no mercado livre quanto em leilões. A sobreoferta estrutural de energia, impulsionada pela geração distribuída, tem contribuído para o aumento do curtailment, onde a energia gerada não é utilizada.

A Shell, por sua vez, anunciou a descontinuação de projetos de geração centralizada de energia solar e eólica no Brasil, com cerca de 3 GW em outorgas. O presidente da Shell Brasil, Cristiano Pinto da Costa, afirmou que o mercado apresenta um suprimento excessivo de projetos, tornando mais viável a compra de energia de terceiros.

Gargalos na Infraestrutura

Os gargalos na infraestrutura de transmissão agravam a situação. A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) observa que os pedidos de revogação refletem um ajuste natural do setor após um período de intensa solicitação de autorizações. A falta de capacidade de escoamento e a limitação do mercado consumidor são fatores que levam à reavaliação da viabilidade dos empreendimentos.

Além disso, o processo de licenciamento ambiental enfrenta atrasos, com o Ibama acumulando 20 mil quilômetros de linhas para avaliação. A ISA Energia Brasil, uma das principais transmissoras, identificou problemas relacionados à falta de recursos humanos nos órgãos responsáveis, o que impacta o cronograma de projetos essenciais para a conexão de novas usinas.

Os desafios enfrentados pelo setor de energia renovável no Brasil indicam um momento crítico, onde a necessidade de soluções estruturais se torna cada vez mais urgente.

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