O governo Lula está avançando na proposta de uma reforma tributária que visa aumentar a justiça fiscal, especialmente em relação a bancos, bilionários e casas de apostas. O economista-chefe da Necton/Apce, André Perfeito, alerta que a taxação sobre o setor bancário deve ser feita com cautela, para não prejudicar a redução da taxa de juros.
Perfeito destaca que o sistema financeiro brasileiro já é “hipertributado” e essencial para a eficácia da política monetária. Ele afirma que um aumento na carga tributária sobre os bancos pode comprometer a capacidade de transmissão dos efeitos de uma política de juros mais baixos. Em contrapartida, o economista defende uma taxação pesada sobre bilionários e apostas, considerando o setor de apostas um problema de saúde pública e econômico.
A informalidade crescente no mercado de trabalho também preocupa Perfeito, que observa que a arrecadação via CLT está diminuindo. Ele sugere que a tributação deve ser repactuada, focando em renda e grandes fundos, para garantir a sustentabilidade do Estado. Após a recente derrota do governo na derrubada dos decretos do IOF, a tensão entre petistas e o Congresso aumentou, com a estratégia de associar Lula à imagem de um presidente que tributa os ricos e isenta os assalariados.
Perfeito também analisa o pessimismo do mercado financeiro em relação às contas públicas, ressaltando que o déficit primário do Brasil, em torno de 0,7% do PIB, não é alarmante quando comparado a outros países emergentes. Ele acredita que a percepção negativa pode ser revertida, levando à valorização do real e da bolsa de valores.
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