Em um cenário de possível fim do aperto monetário, os investidores estão voltando seu olhar para ações, especialmente as que oferecem renda passiva. No primeiro trimestre de 2025, as empresas brasileiras distribuíram R$ 94,33 bilhões em proventos, o maior valor em três anos. O setor de energia se destacou, apresentando um dividend yield de 10,05%.
O levantamento realizado pela Elos Ayta, a pedido da EXAME, revelou que o setor de energia lidera em rentabilidade, seguido pelo financeiro e de saúde, com 6,79% e 6,71%, respectivamente. O dividend yield é um indicador que mostra o quanto uma empresa paga em proventos em relação ao preço de suas ações. Victor Bueno, sócio da Nord Investimentos, destacou a previsibilidade do setor de energia como um fator que favorece o pagamento de bons dividendos.
Entretanto, a volatilidade do petróleo e mudanças regulatórias no setor financeiro podem impactar esses dividendos. A Petrobras, por exemplo, historicamente apresenta dividend yields elevados, mas a instabilidade recente no preço do petróleo gera incertezas. Jayme Simão, do Hub do Investidor, projeta que a petroleira deve manter um dividendo na casa dos 10%.
Setor Financeiro em Mudança
O setor financeiro, especialmente os bancos, continua sendo um dos destaques em dividend yield. Contudo, a nova Resolução nº 4.966, que altera a contabilização das provisões para perdas com crédito, pode afetar a distribuição de proventos. O Banco do Brasil, com forte exposição ao agronegócio, enfrenta desafios que podem comprometer seus dividendos.
Por outro lado, o Itaú se destaca pela consistência nos resultados e na distribuição de dividendos. A instituição não foi impactada significativamente pela nova resolução e apresenta uma inadimplência em queda. No entanto, a pressão sobre outros bancos, como o Bradesco, pode afetar a rentabilidade e os dividendos.
Os investidores devem estar atentos, pois um dividend yield alto não garante a saúde financeira da empresa. Pagamentos extraordinários, como os decorrentes da venda de ativos, podem distorcer a percepção de consistência nos dividendos. Portanto, é crucial analisar o contexto por trás das distribuições para evitar surpresas.
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