O Brasil enfrenta um déficit comercial com os Estados Unidos há 17 anos, enquanto a China se destaca como seu principal parceiro comercial. A guerra tarifária iniciada por Donald Trump complicou ainda mais essa relação. Em entrevista ao Estadão/Broadcast, o ex-embaixador Rubens Ricupero analisou a situação e criticou a proposta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a criação de uma moeda entre os Brics, afirmando que essa ideia carece de resultados práticos.
Ricupero destacou que, apesar do déficit, o Brasil possui uma reserva em dólares que financia suas importações por até 16 meses. Ele ressaltou que a queixa do Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC) tem valor legal e moral, mas sem efeito prático, já que Trump ignora as normas internacionais. “O Trump nem cita a OMC, nem toma conhecimento da existência dela,” afirmou.
O comércio brasileiro é diversificado, com a China consumindo cerca de 30% das exportações, enquanto os EUA representam apenas 12%. O ex-ministro da Fazenda observou que, apesar da importância das exportações para os EUA, o Brasil não depende exclusivamente desse mercado. “É lamentável, mas é uma perda que pode ser absorvida,” disse Ricupero.
Relações Comerciais e Desafios
Ricupero também mencionou que o Brasil já enviou uma queixa ao sistema de solução de controvérsias da OMC, mas acredita que, mesmo que ganhe, não haverá consequências devido à postura de Trump. Ele criticou a falta de diálogo entre os líderes dos dois países, destacando que outros países da América do Sul têm mantido contatos mais frequentes.
Além disso, o ex-embaixador enfatizou que o Brasil nunca se recusou a negociar com os EUA. Em março, uma delegação do Itamaraty foi enviada aos Estados Unidos, e em maio, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o vice-presidente Geraldo Alckmin, enviaram uma carta solicitando respostas às propostas brasileiras. “Eles nunca responderam,” concluiu Ricupero, sublinhando a complexidade das relações comerciais atuais.
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