O Brasil, maior produtor e exportador de café do mundo, surpreende com a descoberta de cafezais em regiões pouco propensas ao cultivo, como o Rio Grande do Sul. O jornalista Diego Weigelt, em sua propriedade em Vera Cruz, encontrou café arábica em um terreno antes tomado por mato.
Em outubro de 2022, ao limpar sua nova propriedade, Weigelt encontrou três arbustos que produziam pequenas frutas vermelhas. Após consulta com a Embrapa e a Fundação Procafé, identificou a variedade como arábica Typica, a primeira a ser introduzida no Brasil em 1727. Curiosamente, Vera Cruz já teve uma grande plantação de café na década de 1970.
O projeto inicial de Weigelt era desenvolver um agroturismo, a Quinta dos Pirilampos, focado na culinária e cultura portuguesas. No entanto, a descoberta do café levou à inclusão do grão no empreendimento. Atualmente, ele cultiva mais de 250 pés de café de diversas variedades, como Bourbon e Mundo Novo, que devem começar a produzir em até dois anos. O objetivo é oferecer café orgânico local, integrando-o ao agroturismo.
Desafios do Cultivo
O cultivo de café no Rio Grande do Sul é desafiador devido ao clima frio. O café arábica, mais resistente, requer temperaturas médias anuais entre 19°C e 22°C, enquanto Vera Cruz apresenta variações entre 14,9°C e 25,4°C. Luis Bohn, da Emater-RS, explica que microclimas na região, como a proteção contra ventos frios, favorecem o desenvolvimento do café.
Além de Weigelt, outros agricultores na Serra Geral, como Alcides e Ivone Lopes, também cultivam café. Alcides destaca que a torra é feita em casa e que, com a alta nos preços do café, muitos produtores que haviam abandonado o cultivo estão retornando à prática. Em Mampituba, cerca de 100 dos 400 produtores rurais têm pés de café, plantando-os em áreas protegidas para garantir a produção.
Entre na conversa da comunidade