Os Estados Unidos enfrentam uma desaceleração econômica após três anos de crescimento robusto, com o consumo das famílias, que representa 70% do PIB, caindo para cerca de 1% no primeiro semestre de 2025. A expectativa inicial era de que a fraqueza econômica se limitasse ao primeiro trimestre, mas os dados recentes indicam um cenário mais preocupante. Bruno Marques, da XP Asset, destacou que o mercado de trabalho ainda não reflete essa desaceleração, mas os últimos números começam a corrigir essa percepção.
A pressão inflacionária, especialmente em produtos importados, também tem contribuído para o cenário desafiador. Marques alertou que os preços dos importados estão subindo a um ritmo próximo de 10% ao ano, e os estoques que amorteciam esse impacto já não são suficientes. Nesse contexto, a política do Federal Reserve se torna incerta. Marques sugere que o ideal seria manter os juros inalterados em 2025 e iniciar cortes apenas em 2026, embora a deterioração do mercado de trabalho possa antecipar essa decisão.
Cenário Externo e Posições da XP Asset
Diante do cenário global, a XP Asset mantém uma posição vendida em dólar, reduzindo essa exposição em julho e depois retomando-a. O portfólio inclui apostas contra a moeda americana em relação ao euro, peso mexicano, rand sul-africano e real. Na Europa, sinais de recuperação no investimento e consumo estão se concretizando, o que pode aproximar o desempenho do PIB europeu do americano.
No Brasil, a bolsa foi o ativo mais afetado recentemente, mas a XP Asset aproveitou a queda para reforçar sua posição comprada. A empresa também está posicionada com vendas em dólar contra o real, destacando a política de juros consistente do Brasil como um fator atrativo. Marques enfatizou que a relação entre carrego e volatilidade cambial está favorável, tornando a posição vendida em dólar e comprada em real interessante.
Novas Apostas em Juros
Uma novidade no portfólio da XP Asset é o aumento da posição em juros, tanto nominais quanto reais. Com a alta recente das taxas, a empresa vê oportunidades em um cenário onde o Banco Central pode, futuramente, cortar os juros de forma mais agressiva. Marques observou que, quanto mais tempo os juros permanecerem elevados, maior a tendência de queda nas expectativas de inflação. Apesar disso, ele é cauteloso quanto a cortes abruptos, considerando improvável uma redução de 300 pontos-base nos juros em 2026 sem um choque significativo.
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