A decretação da prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), provocou um pedido de impeachment contra o magistrado. Quarenta e um senadores já manifestaram apoio à proposta, número que poderia viabilizar a abertura do processo. Contudo, a iniciativa enfrenta resistência do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que já se posicionou contra a pauta.
A Constituição Federal, em seu artigo 52, confere ao Senado a responsabilidade de processar e julgar ministros do STF por crimes de responsabilidade. A denúncia pode ser apresentada por qualquer cidadão e deve ser analisada pela Mesa Diretora, que decide se arquiva ou dá prosseguimento. Os crimes de responsabilidade são de natureza política e podem resultar em sanções como a perda do cargo e a inelegibilidade.
Processo de Impeachment
Se o presidente do Senado aceitar a denúncia, uma comissão especial será formada para emitir parecer em até dez dias. O texto precisa ser aprovado por maioria simples (41 senadores) para que o ministro seja afastado por até 180 dias. Após isso, o Senado atuará como tribunal, presidido por Alcolumbre, e a cassação definitiva requer 54 votos, ou seja, dois terços dos senadores.
Apesar do apoio expressivo, o presidente do PP, Ciro Nogueira (PI), afirmou que não vê possibilidade de avanço no pedido de impeachment. Em entrevista, Nogueira destacou que a decisão cabe exclusivamente a Alcolumbre, que já declarou que mesmo com ampla maioria, não abrirá o processo.
Contexto Histórico
Historicamente, nenhum ministro do STF foi afastado por impeachment desde a promulgação da Constituição de 1988. O único caso registrado ocorreu antes dessa data, quando o ministro Barata Ribeiro teve sua indicação barrada pelo Senado por não atender ao critério de “notável saber jurídico”. A falta de clima político e a resistência de líderes senadores podem dificultar ainda mais a tramitação do pedido atual.
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