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Investimentos chineses no Brasil elevam controle sobre ativos estratégicos

Brasil não tem política de inserção internacional; investimentos chineses somaram US$ 4,18 bilhões em 2024, em 14 estados, ampliando capilaridade

Brasil já é o terceiro maior destino dos investimentos chineeses no mundo (Foto: Imagem criada usando ChatGPT/Gazeta do Povvo)
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O Brasil experimenta um crescimento acentuado nos investimentos chineses, que saltaram 113% em 2024, totalizando US$ 4,18 bilhões. Este aumento posiciona o país como o terceiro maior destino global de capital chinês, atrás apenas do Reino Unido e da Hungria. A expansão é notável em setores estratégicos como energia, logística e agronegócio, levantando preocupações sobre a dependência econômica e a falta de diretrizes claras para a inserção internacional do Brasil.

Em 2024, os investimentos chineses se espalharam por 14 estados brasileiros, aumentando a capilaridade e dificultando uma resposta política centralizada. A Cofco International, por exemplo, assumiu o controle do terminal STS-11 no Porto de Santos, com um investimento inicial de US$ 285 milhões. Além disso, a China Merchants Port controla o Terminal de Contêineres de Paranaguá e negocia o Tecon 10 no Porto de Santos, evidenciando o crescente controle sobre a infraestrutura logística do país.

Setor Energético e Dependência

O setor de energia é um dos mais afetados pela presença chinesa, com 45% do valor total investido entre 2007 e 2024 direcionado a projetos de eletricidade. Em 2023, a energia absorveu 34% dos novos recursos, refletindo a compra de hidrelétricas e linhas de transmissão. Essa concentração levanta questões sobre a segurança energética do Brasil, especialmente em um cenário de tensões geopolíticas.

Além disso, a presença chinesa no agronegócio se intensifica, com a Cofco International dominando a comercialização de grãos. A transferência de ativos genéticos e conhecimento, como no caso do milho, também destaca a estratégia de Pequim em garantir acesso a recursos essenciais. O senador americano Tom Cotton já solicitou investigações sobre a expansão chinesa no Brasil, evidenciando a preocupação com a segurança alimentar global.

Riscos e Oportunidades

A ampliação da presença chinesa em minerais críticos, como nióbio e lítio, representa um desafio adicional. O Brasil, com a segunda maior reserva mundial de terras raras, precisa estabelecer uma política clara para evitar se tornar apenas um exportador de matérias-primas. A falta de um arcabouço legal que regule a entrada de investimentos estrangeiros em setores sensíveis pode aumentar a vulnerabilidade do país.

A situação exige uma reflexão sobre como o Brasil pode receber e fixar esses investimentos de maneira que protejam seus interesses nacionais. A experiência internacional, como os mecanismos adotados na Austrália e na União Europeia, pode servir de modelo para o Brasil estabelecer diretrizes que garantam um equilíbrio entre atração de capital e proteção da soberania econômica.

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