A tentativa de compra hostil do Banco Sabadell pelo BBVA, avaliada em US$ 19 bilhões, foi oficialmente encerrada após mais de 70% dos acionistas do Sabadell rejeitarem a proposta. A oferta, que visava criar um gigante financeiro na Espanha, foi considerada uma derrota significativa para o BBVA, que havia iniciado as negociações em 2020. O anúncio da rejeição ocorreu na noite de quinta-feira, 16 de outubro, e pegou a diretoria do Sabadell de surpresa.
O presidente do BBVA, Carlos Torres, admitiu que o resultado foi inesperado e indicou que a instituição agora se concentrará em crescimento orgânico e na recompra de ações. “Claramente, o resultado não é o que esperávamos”, afirmou Torres, que também ressaltou a relutância dos fundos passivos em vender suas ações como um fator crucial para o fracasso do acordo. Em contrapartida, o Sabadell manterá sua autonomia, reforçando sua estratégia de atuação independente.
Repercussões no Mercado
Após a rejeição, as ações do BBVA apresentaram alta de até 11%, enquanto as do Sabadell caíram cerca de 9,6%. O mercado reagiu a essa reviravolta, com analistas avaliando que a incerteza em torno do acordo finalmente se dissipou. Nicolas Marmurek, da Square Global, observou que o resultado permite ao BBVA evitar a necessidade de levantar capital novo, enquanto o Sabadell se beneficia de um dividendo especial de 2,5 bilhões de euros proveniente da venda de sua unidade TS B no Reino Unido.
A saga da oferta pública de aquisição, que começou com uma proposta não solicitada em maio do ano passado, envolveu intensas campanhas de marketing e esforços para persuadir acionistas. No entanto, a resistência dos investidores locais, que preferem manter suas ações, foi um fator determinante para o desfecho. “O Sabadell é mais forte sozinho”, declarou o presidente do Sabadell, Josep Oliu, após o anúncio.
Futuro das Instituições
Com o fim das negociações, ambas as instituições agora se concentram em suas respectivas estratégias. O BBVA planeja um programa de recompra de ações, enquanto o Sabadell busca solidificar sua posição no mercado como um banco autônomo. O cenário atual destaca a complexidade das fusões no setor bancário europeu e as preferências dos acionistas em tempos de incerteza.
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