Um cenário desafiador se desenha para o mercado de escritórios em Dublin, que, até então, era considerado uma aposta promissora para investidores. Com a pandemia e o aumento da vacância, gestoras como Blackstone, Brookfield e Henderson Park enfrentam perdas significativas. O nível de vacância na capital irlandesa ultrapassa 17%, um dos mais altos da Europa.
As dificuldades começaram a se intensificar após o aumento da oferta de imóveis e a queda na demanda, especialmente no setor de tecnologia. Blackstone, por exemplo, está em negociações para devolver um prédio em St. Stephen’s Green, adquirido em 2019, enquanto enfrenta write-offs em ativos que foram reduzidos a zero. A empresa reconhece que a situação é rara em seu portfólio global de US$ 600 bilhões.
Impacto da Pandemia
A pandemia provocou uma desaceleração no mercado, com a absorção de novas áreas caindo mais de 45% em 2023. O chamado “gray space” — áreas já alugadas, mas desocupadas — também aumentou, pressionando os proprietários. Especialistas apontam que a vacância se concentra em prédios mais antigos, forçando uma possível redução nos aluguéis, o que poderia levar a novos cortes de custos.
Apesar das dificuldades, há indícios de recuperação. O terceiro trimestre de 2025 registrou o maior volume de novas locações em mais de um ano, com sinais de que os aluguéis podem estar se estabilizando. Contudo, a construtora Glenveagh Properties alertou que seu novo edifício, o Freight Building, pode demorar até 2028 para estar totalmente ocupado.
Perspectivas Futuras
A Blackstone, que investiu cerca de € 3 bilhões em imóveis em Dublin, mantém um foco em ativos de alta qualidade com inquilinos corporativos de longo prazo. Enquanto isso, a Brookfield destaca a ocupação de 98% em seu portfólio de ativos. Apesar das perdas, a expectativa é que o mercado de escritórios de Dublin se recupere a longo prazo, embora o caminho ainda seja incerto.
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