O Bradesco, um dos principais credores da Ambipar, protocolou uma ação na Justiça de São Paulo buscando impedir a venda de bens do diretor de integração e finanças, Thiago da Costa Silva, e responsabilizar outros executivos, incluindo o fundador e presidente-executivo, Tércio Borlenghi Junior. A medida surge em meio à recuperação judicial da Ambipar no Brasil e ao pedido de proteção sob o Chapter 11 nos Estados Unidos.
A ação do Bradesco, que detém R$ 390 milhões da dívida da Ambipar, é semelhante à estratégia utilizada durante a crise da Americanas, onde o banco tentou responsabilizar administradores por perdas financeiras. O processo alega que os executivos podem ser responsabilizados por uma possível “fraude ostensiva” nas demonstrações financeiras da companhia, com indícios de um fluxo de caixa “desaparecido”.
Crise de Governança
A Ambipar, que enfrentou uma rápida deterioração de sua imagem, havia emitido um green bond de US$ 750 milhões em janeiro de 2024, mas a situação se agravou com investigações sobre irregularidades financeiras. As dívidas da empresa, que somam R$ 11 bilhões, levaram a companhia a buscar recuperação judicial após credores declararem inadimplência.
Recentemente, o Bradesco já havia perdido uma ação semelhante contra Borlenghi, que classificou a venda de suas ações como ilegal. O banco, no entanto, continua a investigar as práticas financeiras da Ambipar, que incluem manobras contábeis que teriam inflado artificialmente o caixa da empresa.
A situação da Ambipar serve como um alerta sobre os riscos no mercado de crédito corporativo brasileiro, com a Fitch Ratings comparando os eventos atuais aos da Americanas. O cenário se complica ainda mais com a queda dos títulos de outras empresas, como a Braskem, em meio a uma crise de confiança entre investidores.
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