O Bradesco (BBDC4) reafirmou a saúde de sua carteira de crédito, considerando a inadimplência como um fenômeno controlado e restrito a casos pontuais. Durante uma coletiva de imprensa sobre os resultados do terceiro trimestre, o CEO Marcelo Noronha destacou o agronegócio como uma oportunidade para o banco, mesmo diante de desafios específicos no setor.
Noronha abordou a recente aquisição da carteira do Banco John Deere, que totaliza R$ 17 bilhões em operações de financiamento rural. Ele reconheceu que essa carteira pressionou as provisões para devedores duvidosos (PDD), que alcançaram R$ 9,4 bilhões, superando as expectativas do mercado em 4%. O executivo minimizou a gravidade da situação, referindo-se a ela como um “soluço” temporário.
Projeções e Estratégias
O Bradesco manteve sua projeção de crescimento de crédito entre 7% e 8% para o ano, com Noronha afirmando que a inadimplência está em 3% para novas operações, muito abaixo da média de 11% do mercado. Ele enfatizou que o banco opera com um apetite moderado ao risco, com quase 60% da carteira colateralizada.
Em relação à situação da Ambipar, que entrou com pedido de recuperação judicial, Noronha evitou entrar em detalhes, mas reafirmou que a inadimplência não representa uma crise generalizada. Ele ressaltou que a alavancagem média das empresas de capital aberto está sob controle e que o mercado está ciente dos riscos setoriais.
Reação do Mercado
Após a divulgação dos resultados, as ações do Bradesco recuaram cerca de 4%. Noronha atribuiu essa queda a uma correção de mercado, destacando que a ação subiu 78% ao longo do ano, e 22% desde o último trimestre. O executivo encerrou a coletiva com um olhar otimista para o futuro, citando a fase de transformação do banco e a expectativa de um desempenho positivo no quarto trimestre.
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