O Brasil está em um momento crucial para diversificar seu agronegócio com o cultivo de cannabis sativa, especialmente voltado para a extração de CBD. Um estudo da consultoria Kaya Mind revela que o retorno líquido do cultivo de flores para CBD pode alcançar R$ 23.306,80 por hectare, superando em até 11 vezes a rentabilidade da soja, que gera cerca de R$ 2.053,34 por hectare.
A regulamentação do cultivo industrial ainda é um desafio. O prazo para a definição das normas foi prorrogado para 31 de março de 2026, segundo a Advocacia Geral da União (AGU). A CEO da ExpoCannabis Brasil, Larissa Uchida, considera a prorrogação uma oportunidade para discutir a regulamentação de forma mais abrangente. Ela defende que o cultivo deve ser permitido não apenas para fins medicinais, mas também para outros usos.
Potencial do Cultivo
O cultivo de cannabis não se limita ao CBD. A planta possui mais de 25 mil subprodutos, com aplicações que vão desde a construção civil até a indústria têxtil e alimentícia. Larissa enfatiza que as sementes da cannabis são ricas em proteínas, representando uma fonte alimentar significativa. Apesar da falta de regulamentação, o mercado medicinal de cannabis no Brasil deve movimentar cerca de R$ 1 bilhão até 2025.
A sustentabilidade da planta é outro ponto positivo. O cultivo utiliza dez vezes menos água que o algodão e possui um ciclo de vida curto, permitindo até quatro safras por ano. Além disso, a cultura pode gerar 17,3 empregos por hectare cultivado.
ExpoCannabis Brasil
Entre os dias 14 e 16 de novembro, São Paulo sediará a 3ª edição da ExpoCannabis Brasil, com expectativa de 45 mil visitantes. O evento visa educar o público sobre o mercado de cannabis e suas diversas aplicações. Larissa acredita que a feira será fundamental para desmistificar preconceitos e mostrar o potencial do setor no país. Ela ressalta que o Brasil tem tudo para se tornar um dos maiores produtores de cannabis industrial do mundo, se a regulamentação for feita de maneira adequada e informada.
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