No segundo trimestre, os pedidos de recuperação judicial no agronegócio brasileiro atingiram 565, segundo dados da Serasa Experian. O volume representa alta de 31,7% em relação ao mesmo período do ano anterior e avanço de 45,2% frente ao primeiro trimestre.
O aumento impulsiona uma convergência de fatores: bancos passaram a exigir mais garantias e criteriosidade na concessão de crédito para produtores do setor. O Banco do Brasil, maior financiador do agronegócio, sinalizou expectativa de inflexão da inadimplência a partir do próximo ano.
Os dirigentes públicos destacam impactos no acesso a crédito. Guilherme Campos, secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, afirmou que a recuperação judicial é o principal obstáculo à expansão de crédito agrícola, com maior relevância desde o ano passado. Ele também citou a atuação de escritórios de advocacia que promovem soluções para reduzir dívidas, o que fomenta decisões rápidas em primeira instância.
Panorama setorial e riscos
A autoridade reconheceu que, embora a RJ se consolide como saída rápida para dívida, o resultado em instâncias superiores pode divergir do que é apresentado inicialmente. Juros elevados e eventos climáticos em algumas regiões aparecem como fatores adicionais de desafio para o setor.
Ainda segundo Campos, o movimento de investidores influenciados por escritórios de advocacia ocorreu durante períodos de notícia positiva do agronegócio, mas o cenário atual exige cautela e avaliação técnica das soluções adotadas. A afirmação foi feita em Brasília, durante evento do Lide, e reforça a necessidade de planejamento de crédito com critérios mais rígidos.
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