Em outubro de 2025, empresas associadas ao Cecafé registraram prejuízos de 8,719 milhões de reais com armazenagens adicionais, pré-stacking e detentions. A causa foi a impossibilidade de exportar 2.065 contêineres e 681.590 sacas de 60 kg de café verde, o que também deixou de apresentar receita cambial de 278,08 milhões de dólares.
O atraso no embarque impacta o comércio exterior brasileiro. O FOB médio ficou em 407,99 dólares por saca, com a cotação do dólar em 5,3849 reais no mês. O cenário evidencia gargalos estruturais nos portos, especialmente em Santos, maior porto do Hemisfério Sul, segundo avaliação do Cecafé.
Atrasos por porto e tempo de espera
No resumo do mês, 52% dos navios tiveram atrasos ou alterações de escala entre 393 embarcações, segundo o Boletim DTZ, em parceria entre ElloX Digital e Cecafé. O Porto de Santos respondeu por 73% dos atrasos com 148 dos 203 embarques de café. A espera máxima chegou a 61 dias no embarcadero santista.
O Rio de Janeiro foi o segundo maior exportador, com 30% de atrasos em outubro, envolvendo 34 dos 113 navios. O maior intervalo de prazo entre deadlines foi de 77 dias. No RJ, 22% dos procedimentos tiveram gate aberto acima de quatro dias, 48% entre três e quatro dias e 30% com menos de dois dias. Desafios persistem e investimentos anunciados devem levar anos para entregar melhorias.
Contexto e perspectivas
Observadores destacam que as promessas de melhorias, como aprofundamento de calado para 16 metros e novas vias de acesso, são relevantes para o comércio exterior, mas devem demorar cerca de cinco anos para se consolidarem. A infraestrutura defasada continua a gerar custos elevados para exportadores de café, com impactos significativos ao longo da cadeia logística.
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