Em dezembro de 2025, Xangai divulgou as “Dez Medidas para os Jogos de Xangai”, com alocação anual de RMB 50 milhões para estruturar um ecossistema de jogos e esportes eletrônicos. No mesmo eixo, Guangzhou lançou 18 medidas visando tornar-se, até 2030, uma das cidades mais influentes mundialmente no setor. Antes disso, Shenzhen apresentou, em novembro de 2025, um plano trienal para consolidar a meta de exportação de jogos da China.
A atuação conjunta dessas cidades de primeira linha evidencia uma estratégia comum: usar jogos e e-sports para impulsionar crescimento econômico, inovação tecnológica e exportação cultural. A direção é clara: criar ambientes que conectem entretenimento, tecnologia e economia, com efeitos locais ampliados.
Potencial econômico em expansão
Do ponto de vista econômico, o setor cresce de forma constante, ampliando seu alcance. Ao Ran, vice-presidente executivo da Associação Chinesa de Áudio, Vídeo Digital e Publicações Digitais, afirma que jogos deixam de ser apenas entretenimento para se tornar força econômica que alia cultura e tecnologia.
Segundo o executivo, o setor opera em três círculos de valor: núcleo (desenvolvimento, publicação e operação de jogos), o círculo associado (hardware, e-sports e produtos derivados) e o círculo de irradiação (turismo cultural, educação e saúde), refletindo impactos além do setor principal.
Laboratório para aplicação tecnológica
Os jogos e e-sports funcionam como campo de testes para tecnologias digitais avançadas, incluindo IA, computação em nuvem e renderização em tempo real. Ambientes virtuais permitem treinamento de IA, VR/AR, motores gráficos e projetos ligados ao metaverso.
Sun Shoushan, presidente da associação, destaca que o setor é um dos principais campos de aplicação tecnológica. A integração entre setores facilita novos modelos de negócio e aproxima economia digital da economia real.
Um novo veículo cultural
Culturalmente, os jogos atuam como meio de comunicação e difusão de narrativas, com foco em exportação cultural. Desenvlovedores chineses investem em narrativas e estética ligadas à cultura asiática, como Black Myth: Wukong, que serve de plataforma para apresentar histórias chinesas a públicos internacionais.
Sun Shoushan aponta que a experiência interativa amplia o conhecimento sobre a civilização chinesa entre jogadores estrangeiros, fortalecendo o papel do setor como canal de difusão cultural. He Wei, da Universidade Normal de Pequim, vê as políticas ampliando valores, de entretenimento para inovação e de competição doméstica para cooperação global.
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