MSCI decidiu não seguir adiante com a exclusão de Digital Asset Treasury Companies (DATCO) de seus índices de ações. A empresa indicou que precisará de mais consultas e novos critérios para distinguir firmas de investimento de empresas que mantêm ativos digitais como parte de operações centrais. A mudança ocorre em meio a uma revisão mais ampla sobre ativos não operacionais, como o Bitcoin.
A decisão mantém a Approach atual para as empresas incluídas na lista preliminar de DATCO, cuja participação de ativos digitais soma 50% ou mais do total. Com isso, a Strategy permanece nos benchmarks globais da MSCI por ora, o que é relevante para fluxos de investimentos passivos.
A marca Strategy reagiu positivamente à mudança, com alta de cerca de 6% no after-hours após o anúncio. A empresa havia criticado a proposta, chamando-a de inadequada e alertando para consequências negativas nos mercados de capitais e na liderança dos ativos digitais nos EUA.
MSCI informou ter ouvido investidores que têm preocupações de que alguns DATCO atuam como fundos de investimento, quadro que pode afastar critérios de inclusão. A firma afirmou que distinguir entre empresas de investimento e outras que mantêm ativos não operacionais requer mais pesquisa junto a participantes de mercado.
A organização também citou a necessidade de novos parâmetros para avaliar elegibilidade, possivelmente com base em demonstrações financeiras e outros indicadores. A revisão poderá ampliar o escopo para além de nomes ligados a tesouraria de criptoativos.
A pauta de revisão da metodologia de índices ganha tempo, pois regras do índice podem influenciar decisões de investimento. Em fins de 2025, analistas alertaram que a exclusão poderia provocar vendas de até 10 a 15 bilhões de dólares entre empresas de tesouraria de cripto, dependendo do peso dos índices rastreados.
A Strategy encaminhou uma carta de 10 de dezembro assinada pelo chair executivo Michael Saylor e pelo CEO Phong Le, descrevendo a proposta como equivocada e sinalizando potenciais impactos adversos nos mercados de capitais e na liderança dos ativos digitais nos EUA.
Analistas de Wall Street já estimaram efeitos de fluxos passivos caso a MSCI obrigasse fundos a se desengajar. A JPMorgan, por exemplo, projetou saídas que poderiam chegar a cerca de 2,8 bilhões de dólares apenas pela Strategy, se a MSCI determinasse exclusões nos seus índices.
A MSCI não divulgou uma data final para concluir as consultas. A ideia é publicar as conclusões em breve, com a possível adoção de mudanças no review de fevereiro de 2026. A decisão desta terça-feira mantém o status quo e amplia a discussão sobre classificações de empresas com ativos não operacionais.
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