O acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul passa por novo passo rumo à aprovação. A União Europeia busca a ratificação com o apoio de 15 dos 27 Estados-membros. Se aprovado pelo Parlamento Europeu, o texto poderá entrar em vigor após assinatura da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
Segundo autoridades alem de fontes oficiais, o acordo pode abranger 720 milhões de pessoas e um PIB conjunto acima de US$ 22 trilhões. A maior parte do impacto econômico deve ocorrer no setor agropecuário, com abertura de novos mercados para produtos brasileiros e de outros membros.
A última etapa relevante ocorreu em dezembro de 2024, quando líderes do Mercosul e da UE anunciaram o encerramento das negociações, após mais de duas décadas de conversas. Desde então, o cenário global passou por mudanças relevantes.
Contexto internacional
Analistas destacam que o cenário de 2024 a 2025, marcado pela retração do multilateralismo e pela maior volatilidade comercial, tornou o acordo UE–Mercosul mais estratégico. A guinada protecionista dos Estados Unidos intensificou a relevância de acordos entre blocos econômicos abertos.
Para especialistas, o acordo fortalece a posição de quem defende maior abertura comercial. Mesmo sem substituir o mercado americano, o pacto oferece alternativas de atuação diante de uma rede de acordos bilaterais cada vez mais presente.
Impactos setoriais
No Brasil, o maior ganho esperado é a facilitação de exportação de produtos agropecuários para a UE. Em contrapartida, há expectativa de pressões para modernizar indústria nacional, elevar produtividade e tecnologia. A redução de tarifas para máquinas também é apontada como potencial impulsionador.
Economistas ressaltam que o acordo aumenta a resiliência econômica ao criar ventanias de escape diante de decisões de parceiros únicos. O efeito difere entre Brasil e União Europeia, com o primeiro sentindo mais as tarifas impostas pelos EUA.
Perspectivas estratégicas
Especialistas afirmam que o tratado representa um reposicionamento político para ambos os blocos, fortalecendo a ideia de cadeias produtivas transcontinentais. O documento é visto como um marco em meio à regionalização comercial e à busca por regras estáveis, mesmo com a retração do multilateralismo.
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