O que aconteceu analistas ouviram relatos de agentes do setor sobre a burocracia pós-Brexit, que tem aumentado o tempo e os custos para o envio de carne ao continente. Em audiência com o comitê de negócios e comércio, Toby Ovens, da Broughton Transport, descreveu o cenário como um pesadelo logístico causado pela nova papelada exigida para inspeções em Calais. A expressão de frustração veio acompanhada de exemplos práticos de atrasos e custos adicionais.
Ovens mostrou um conjunto de documentos com 26 carimbos, em contraste com uma única página disponível antes do Brexit, destacando a sobrecarga administrativa enfrentada por quem transporta carne de cordeiro e boi para a UE. Relatos de veterinários perseguindo caminhões na autoestrada M4 ilustram a dimensão do problema.
Um caso destacado envolveu um caminhão de carne congelada retido em Calais por 27 dias devido a um erro documental. O custo para o cliente ficou em torno de 16 mil libras, volume correspondente a horas de espera de motoristas com o contêiner refrigerado. Atrasos ocorreram também antes do Natal, com fiscalização recusando-se a aceitar novas certidões britânicas de BSE.
Desdobramentos e mudanças
Os participantes explicaram que houve desvio de uma viagem para Chippenham, onde um veterinário forneceu um conjunto de novos certificados de BSE para atender as vans retidas no porto. Esses relatos corroboram previsões feitas anteriormente por exportadores, transportadores e pequenos negócios sobre os encargos da nova norma.
Bruxelas prepara o primeiro encontro de uma nova instrução sanitária animal com Londres, visando reduzir a burocracia associada ao comércio de bens entre a UE e o Reino Unido. O objetivo é avançar para um acordo veterinário que facilite as exportações sem comprometer salvaguardas sanitárias.
Impactos econômicos e perspectivas
Liam Byrne, presidente do comitê, apontou impactos financeiros significativos no comércio de bens, estimando custos adicionais de 8,4 bilhões de libras para o Reino Unido. Em comparação, o comércio de mercadorias recuou cerca de 18% em cinco anos; bebidas e alimentos teriam queda de cerca de 24%.
As negociações para simplificar a documentação de exportação de alimentos começam em Londres na próxima semana, com uma segunda sessão prevista em Bruxelas. Tom Bradshaw, presidente da União Nacional de Agricultores, destacou questões técnicas envolvendo padrões de segurança alimentar, rações e rotas de transição para possíveis ajustes regulatórios.
Sean McGuire, diretor para a Europa na Câmara de Comércio britânica, afirmou que a União Europeia tem mostrado resistência moderada em áreas como o reconhecimento mútuo de qualificações profissionais, tema que também influencia setores como arquitetura e serviços técnicos.
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