A demanda por voos internacionais de longo curso na América Latina, especialmente no Brasil, segue alta, favorecendo encomendas de aeronaves maiores. A avaliação é da Airbus, conforme declaração de Damien Sternchuss, VP para a região, em entrevista à Bloomberg Línea após evento em São Paulo.
Segundo o executivo, cerca de 90% das aeronaves em serviço na aviação comercial da região são narrow-bodies, com 100 a 250 assentos, ideais para rotas locais e regionais. A fatia de widebodies permanece pequena, mas há expectativa de crescimento.
Na América Latina e no Caribe, a participação da Airbus no segmento single-aisle é de 59%. Sternchuss aponta que a demanda por modelos maiores, como A330 e A350, deve avançar nos próximos anos pela necessidade de voos internacionais em expansão.
A líder fabricante mantém atendimento a 17 clientes na região, entre eles Latam, Azul, Avianca e Volaris. A expectativa é que o tráfego de passageiros dobre nas próximas duas décadas, abrindo oportunidades em curtas, médias e longas distâncias.
Crescimento no Brasil e acesso regional
Do backlog da região, a Airbus responde por 69% do total, frente a 20% da Boeing e 11% da Embraer, segundo o executivo. No Brasil, a fabricante detém 50% de market share na aviação comercial e pretende ampliar atuação local.
O país é apresentado como principal mercado da região para a Airbus, seguido do México, onde o crescimento é puxado por companhias de baixo custo, com demanda por A320 e A321.
Além do Brasil, a Colômbia e o Chile aparecem como mercados em crescimento, conforme Sternchuss. Na Argentina, a JetSmart já amplia operações com a família A320, destacando o A321.
Desafios de oferta e consolidação
Para o setor, o principal desafio é ampliar a oferta de assentos com resilência, aumentando a capacidade de produção dos fabricantes. A notícia aponta a necessidade de ampliar escala para atender a demanda futura.
O VP ressaltou ainda um movimento de consolidação no setor, observado globalmente nas últimas duas décadas, que pode seguir na América Latina diante de pressões por eficiência e competitividade.
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