O PIB da China cresceu 5% em 2025, mantendo o mesmo ritmo de 2024 e cumprindo a meta oficial de alcançar cerca de 5% de expansão. A divulgação ocorreu nesta segunda-feira, em meio a tensões comerciais com os EUA e a crise no mercado imobiliário.
Especialistas apontam que, apesar do resultado, desafios estruturais internos persistem. A crise do setor imobiliário, com queda de preços simulando um aperto de crédito, pesa sobre o consumo e o investimento.
A China enfrentou um cenário geopolítico conturbado, com continuidade de tarifas dos EUA e demanda externa oscilante, mas ainda assim registrou superávit comercial recorde de cerca de US$ 1,2 trilhão, segundo dados oficiais.
Desempenho e perspectivas
Luke Yeaman, economista-chefe do Commonwealth Bank of Australia, afirma que o ambiente externo continua imprevisível, o que pode impactar o crescimento em 2026. Ainda assim, as perspectivas são de crescimento contínuo.
Yeaman alerta que os problemas domésticos não devem desaparecer rapidamente, destacando a depressão dos compradores devido à retração do mercado imobiliário há quatro anos. O setor permanece cético quanto à retomada rápida.
Kang Yi, chefe do Escritório Nacional de Estatísticas, disse que a China enfrenta “problemas e desafios” mas pretende manter impulso estável de crescimento neste ano, com foco em políticas de apoio ao consumo.
Estrutura e incertidumbres
Analistas da Citi descrevem a economia como “em formato K”, com fortes avanços em exportações e manufatura, porém desempenho fraco de varejo em dezembro, o que freia o avanço agregado.
Fontes oficiais questionam a confiabilidade de números estatísticos, com estimativas de consultorias privadas sugerindo que o crescimento oficial pode ser inflacionado em até 1,5 ponto percentual.
O governo chinês projeta elevar o consumo das famílias como participação do PIB nos próximos cinco anos, um movimento estratégico para equilibrar o crescimento.
Medidas públicas e impacto
No ano passado, o governo destinou 300 bilhões de yuan (cerca de US$ 43 bilhões) em subsídios para famílias que trocas de eletrodomésticos velhos por novos, parte de um pacote para estimular a demanda.
Especialistas apontam que a continuidade desses reforços pode ampliar a confiança de consumidores e empresas, embora haja ceticismo quanto à correspondência entre discurso e ações efetivas.
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