A exportação de café solúvel brasileiro para os Estados Unidos recuou 28,2% em 2025, atingindo 558.470 sacas de 60 kg. O tombo acompanha a manutenção de tarifa de 50% para o produto, imposta pelo governo dos EUA, sem isenção para o solúvel. A queda ocorreu entre agosto e novembro, período de aplicação da cobrança.
A Abics informou que o volume embarcado para os EUA teve queda ainda mais acentuada nos últimos cinco meses do ano, chegando a recuar 40% em relação ao mesmo intervalo de 2024. O efeito direto foi menor competitividade do solúvel brasileiro no principal destino.
Essa pressão tarifária contribuiu para uma redução de 10,6% nas exportações totais de solúvel em 2025, totalizando 3,69 milhões de sacas. Mesmo com o recuo no volume, as receitas de exportação cresceram 14,4%, para US$ 1,099 bilhão, impulsionadas pela valorização dos preços da matéria-prima.
O dinamismo de receita ocorre apesar da queda de volumes, explica Aguinaldo Lima, diretor-executivo da Abics. Segundo ele, a alta no preço do café arábica e do conilon/robusta elevou o valor do solúvel no mercado externo.
Entre os destinos, a Argentina foi o segundo principal emissor de demanda, registrando alta de 40%, com 291.919 sacas. A Rússia ficou em terceiro, com 278.050 sacas, incremento de 9,8%. Outros compradores relevantes incluem Indonésia, México e Vietnã.
A Abics cita ainda a Colômbia, que ampliou as compras em 178,2%, totalizando 130.029 sacas. Países produtores importantes aparecem entre os importadores, sinalizando necessidade de diversificação de mercados diante das tarifas americanas.
Para o futuro, a associação aponta a busca por novos mercados e intensificação de negociações de acordos comerciais. O objetivo é reduzir vulnerabilidade ante barreiras tarifárias e manter o ritmo de exportação do solúvel brasileiro.
Mercado interno em alta
No Brasil, o consumo doméstico de café solúvel atingiu recorde em 2025, com 1,170 milhão de sacas, alta de 9,5% ante 2024. A prática de uso no dia a dia e o ajuste de preços contribuíram para o desempenho.
A Abics atribui o crescimento à preferência do consumidor brasileiro por essa modalidade de café e às estratégias das indústrias voltadas ao mercado interno. A menor inflação do produto também favoreceu a demanda.
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