Em entrevista à Forbes Brasil, Fernando Machado Gonçalves, superintendente de pesquisa econômica do Itaú Unibanco, aponta continuidade como a palavra-chave para 2026 na economia brasileira. O ano será eleitoral, e o ciclo de cortes da Selic já foi sinalizado pelo Banco Central.
A leitura central é de continuidade da recuperação e de ajustes marginais, com consumo sustentando a atividade doméstica após estímulos fiscais recentes. O mercado deve manter volatilidade apenas perto da definição dos candidatos ao pleito, estimada para julho.
Para Gonçalves, a trajetória fiscal tende a manter-se sob cautela, sem grandes sustos no curto prazo. A dívida/PIB cresceu nos últimos anos, e o debate fiscal pode ganhar peso apenas no pós-eleição, influenciando o ambiente de preços.
O cenário-base é de continuidade econômica, com a inflação, o desemprego e o PIB próximos dos níveis de 2025. A expectativa é de queda gradual da Selic a partir de março, até chegar a 12,75%, em ciclo curto, ainda que limitado pela conjuntura fiscal.
No Brasil, o mercado de trabalho deve seguir firme, com desemprego em baixa e equilíbrio estrutural possivelmente mais sustentável. Esse quadro sustenta consumo e demanda interna, apoiados por medidas como reajustes salariais, precatórios antecipados e incentivos à renda.
Entre os gatilhos de curto prazo, a recuperação externa continua incerta. O dólar tem mostrado fraqueza frente a ativos de emergentes, como ouro e moedas de regiões com maior apetite por risco. Em janeiro, fluxos estrangeiros para a B3 chegaram a R$ 23 bilhões, representando grande parte do que se viu em 2025.
Gonçalves afirma que esse movimento reflete uma redução de exposição aos EUA e maior apelo por economias estáveis da América Latina. O Brasil se beneficia pela liquidez do mercado e pela percepção de menor risco político relativo, apesar das incertezas eleitorais.
A interlocução com a política monetária tem sido positiva para a credibilidade da autoridade monetária, segundo o economista. Expectativas de inflação a longo prazo permanecem estáveis, mesmo com volatilidade eleitoral próxima. O foco permanece na gestão de juros e na percepção de rumo fiscal.
Sobre o novo normal de juros reais global, o pesquisador aponta que a demanda por capital tende a sustentar patamares elevados, até que ganhos de produtividade influenciem a inflação. No curto prazo, o cenário é de equilíbrio entre estímulos fiscais e limites da política monetária.
Para o Brasil, a atração de capital externo permanece favorecida por fatores como energia limpa, potencial de carbono e agronegócio robusto. A visão externa, porém, continua mais favorável sobretudo por não enxergar o endividamento como desmentido de risco, ao menos diante da comparação internacional.
Entre na conversa da comunidade