O mercado de escritórios de alto padrão em São Paulo mostra mudança de rota em 2025. A demanda se concentra em ativos modernos, bem localizados e com tecnologia avançada, enquanto a vacância recua apenas nos edifícios Triple A. A cidade segue com ritmo de retomada seletiva.
Segundo dados da CBRE, a absorção bruta de escritórios no 4T de 2025 ficou em 226 mil m², alta de 29% frente ao trimestre anterior. O acumulado anual alcançou 834 mil m², mantendo o movimento recente de ocupação elevada.
A Cushman & Wakefield aponta queda na vacância do segmento de alto padrão, fechando 2025 em 12,77%. Em Pinheiros, a taxa despencou de 9,45% para 5,13% em um ano, sinalizando maior ocupação nas regiões premium.
A atuação do Triple A chamou atenção: a vacância nesses ativos caiu para 11,5% em 2025, ante patamar de 18% há dois anos, enquanto o mercado como um todo ficou em 16,7%.
Consequência direta é o aumento dos preços. O aluguel médio em São Paulo chegou a R$ 144,29 por m², com elevação puxada pela oferta premium. A Faria Lima manteve o terreno mais caro, em média R$ 290,06 por m².
No cenário regional, bairros como Avenida JK também registraram avanços significativos na ocupação, reforçando o movimento de priorização de localização e qualidade.
Nubank e Netflix encabeçam as mudanças recentes. Em janeiro, o Nubank anunciou investimento superior a R$ 2,5 bilhões para ampliar escritórios no Brasil, com foco em modernização e ocupação de 35 mil m² no Edifício Cyrela Corporate, em Pinheiros.
O mesmo movimento envolve o Capote 210, em Pinheiros, onde a empresa ocupará 20 andares, previsto para abril deste ano. A inauguração reforça a concentração da Nubank fora do eixo Faria Lima.
A Netflix moderniza a sede em São Paulo ao ocupar o edifício OPI-07, na Rebouças, transferindo atividades do Itaim Bibi. A área ocupada subiu de 1,6 mil para 8,2 mil m², ampliando produção local de conteúdo.
Mercado também aponta tendência de consolidação do uso do espaço. Segundo Rodrigo Abbud, da Pátria Investimentos, a área por funcionário aumentou para aproximadamente 15 m², mesmo com modelos híbridos.
O cenário macroeconômico ajuda a sustentar a retomada. A queda esperada da Selic eleva a atratividade de ativos de alta qualidade, segundo especialistas ouvidos pelo setor.
Com menos novas entregas previstas para 2026, o ritmo de expansão tende a ficar contido. Em 2025, foram entregues apenas ~50 mil m² de escritórios, em comparação com previsões maiores.
Tanto a demanda por ativos premium quanto a busca por localizações estratégicas indicam um novo ciclo para o mercado paulistano. A tendência é de recuperação mais organizada, centrada em qualidade e eficiência.
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