O Departamento de Justiça dos EUA publicou documentos que revelam vínculos de Jeffrey Epstein com o nascente ecossistema de criptomoedas. Segundo as informações, Epstein financiou o Bitcoin e investiu na Coinbase em 2014, além de aportar recursos a Blockstream no mesmo ano. As operações ocorreram anos após a condenação dele, em 2008, por solicitação de prostituição de menor.
Os documentos mostram que Epstein foi o que a Justiça chama de “fonte principal” de financiamento para o Bitcoin, com investimento direto em projetos ligados à moeda digital. Em 2014, ele também investiu na Coinbase, uma das maiores corretoras de criptomoedas dos Estados Unidos, por meio de um montante considerável.
A participação de Epstein na Coinbase foi intermediada por Brock Pierce, figura conhecida no setor e ligado à Blockchain Capital. Relatórios indicam ainda que Epstein vendeu parte de suas ações para a Blockchain Capital em 2018, em transação avaliadas em milhões de dólares.
Paralelamente, o apoio de Epstein ao desenvolvimento do Bitcoin também esteve ligado a instituições acadêmicas. Ao longo de duas décadas,MIT recebeu mais de US$ 800 mil de Epstein, que também facilitou doações de outros milionários. Essas interações ajudam a traçar o papel dele no início do ecossistema.
Comunicações entre Joichi Ito, então diretor do MIT Media Lab, e Epstein indicam que as doações seriam usadas para financiar a iniciativa de moeda digital do laboratório. Ito descreveu Epstein como contribuinte para o lançamento da Digital Currency Initiative, núcleo de pesquisas em criptomoedas.
Em 2014, Ito também intermediou o envolvimento de Epstein com Blockstream, empresa de tecnologia focada em Bitcoin. Epstein investiu US$ 500 mil na Blockstream, por meio de um fundo que ele dividia com Ito. Correspondências indicam que os fundadores da Blockstream foram convidados a conhecer Epstein em uma ilha privada.
Reações da indústria foram diversas. Alguns participantes destacam que a maior parte do dinheiro de Epstein não mudou o curso de projetos em andamento. Outros criticam o papel de investidores com histórico criminal, ponderando se isso poderia afetar a percepção pública sobre o setor.
Especialistas ouvidos pelo portal ressaltam que o ecossistema tende a manter a continuidade de operações, desde que as atividades não envolvam fontes de dinheiro de origem questionável. Avaliações apontam que o impacto direto sobre as empresas envolvidas tende a ser limitado.
Especialistas também discutem as motivações de Epstein para investir em Coinbase e em projetos de Bitcoin. Uma hipótese é de que o interesse estivesse ligado a perspectivas de crescimento de IPO, além de interesse estratégico em tecnologias financeiras descentralizadas.
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