O agronegócio brasileiro deixou de ser apenas um setor produtivo para se tornar um ativo estratégico do país. Hoje, ele sustenta o equilíbrio econômico, ambiental e geopolítico do Brasil em meio a guerras, logística instável e protecionismo crescente.
Cerca de 50% das exportações nacionais vêm do agro, que também atua como amortecedor de crises, ajuda a estabilizar o câmbio e reduz pressões inflacionárias. Quando o setor vai bem, o país respira mais aliviado. A prática é respaldada por dados públicos e pesquisas técnicas.
O Brasil, ao manter um sistema produtivo entre porteira e tecnologia, registra avanços significativos. O Código Florestal impõe altos padrões de preservação, com 240 milhões de hectares de área protegida, quase o tamanho conjunto da França, Espanha e Alemanha.
Ao mesmo tempo, a agricultura tropical brasileira cresceu em produtividade sem expansão de área, com ganho de cerca de 500% na produção frente a pouco mais de 100% de aumento da área cultivada. Esse equilíbrio é visto como solução replicável para outros territórios.
Geopolítica, comércio e investimento
O mundo busca investir no Brasil, e o país enfrenta decisões sobre recebimento de capital, com interesse crescente em alimentos, bioenergia, fibras e biotecnologia. O obstáculo principal não é a produção, mas a insegurança jurídica e a previsibilidade regulatória.
A presença de investidores internacionais é destaque: a China mantém atuação relevante, os Estados Unidos acompanham de perto a região e a União Europeia assiste a avanços em acordos comerciais com o Mercosul.
Energia, ativos ambientais e governança
Ativos ambientais devem se converter em valor econômico. A criação de uma secretaria dedicada ao carbono no Ministério da Fazenda sinaliza o movimento de transformar o debate climático em decisões de investimento com parâmetros para o contexto tropical.
O agronegócio é apontado como a principal vantagem competitiva do Brasil no século 21, exigindo clareza, parcimônia e ação coordenada para manter o Brasil como liderança na produção, tecnologia e conhecimento tropical.
Maressa R. Vilela Bettencourt, produtora rural e diretora da sustentabilidade da Sociedade Rural Brasileira, assina o conteúdo. Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a posição de Forbes Brasil e de seus editores.
Entre na conversa da comunidade