A Raízen informou que manterá os investimentos em plantio e na segurança dos canaviais, mesmo diante de uma crise financeira. A decisão foi comunicada durante teleconferência com diretores para comentar resultados do terceiro trimestre da safra 2025/2026.
A empresa aponta que pretende postergar itens não prioritários. O CEO Nelson Gomes destacou que os acionistas controladores, Cosan e Shell, se comprometeram a aportar capital para uma solução definitiva dos problemas de endividamento.
A companhia registrou prejuízo líquido de aproximadamente 15,65 bilhões de reais no trimestre e elevou a dívida líquida para 55,3 bilhões de reais, com uma baixa contábil de 11,1 bilhões de reais, sem impacto de caixa. A gestão reforçou a necessidade de reorganização financeira.
Investimentos em canaviais
O executivo afirmou que os investimentos previstos para a safra 2025/26 devem ficar entre o meio e o intervalo inferior do guidance de 9 bilhões a 9,8 bilhões de reais. A projeção aponta redução de cerca de 3 bilhões de reais no capex ainda em processo de melhoria de eficiência.
Na temporada anterior, a Raízen investiu 11,9 bilhões de reais. O documento de resultados indica que o fim da safra concentra recursos em açúcar e etanol. A moagem acumulada até o terceiro trimestre foi de 70,3 milhões de toneladas, queda de 9,3% ante o mesmo período da safra anterior.
Aporte dos controladores
A administração informou que o endividamento é o desafio principal e que a provisão de 11 bilhões de reais no trimestre reflete esse quadro. A liquidez é indicada como robusta, mas a estrutura de capital está em um ponto crítico que demanda aporte dos controladores.
O CEO ressaltou que a transformação operacional isoladamente não resolve o desequilíbrio financeiro. A empresa continua buscando alternativas para reduzir o endividamento, com apoio de assessores financeiros e legais.
O processo de reestruturação envolve venda de ativos, simplificação operacional e cortes de custos. Os controladores apontam que o aporte será alinhado a uma solução consensual e estruturante, para a viabilidade de longo prazo.
Vendas de ativos e andamento
Ao longo de 12 meses foram vendidos ativos por cerca de 5 bilhões de reais, ajudando a reduzir investimentos. As negociações de venda da unidade argentina devem ser concluídas até o final do ano, segundo a gestão.
A Raízen mantém operações estáveis nos seus negócios principais. Há avanços em ganhos de eficiência e continuidade de parcerias, clientes e fornecedores, segundo a direção da companhia.
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