O BBVA e o seu ex-presidente Francisco González vão a julgamento no caso Villarejo. A Sala de o Penal da Audiencia Nacional entende que existem indícios suficientes contra a banca, como pessoa jurídica, e contra González, além de mais de uma dezena de ex-dirigentes.
A decisão envolve supostos delitos de cohecho e descoberta e revelação de segredos, vinculados à contratação do comissário jubilado José Manuel Villarejo para atividades de espionagem entre 2004 e 2017. Aqueles indicados teriam colaborado com o esquema.
Os magistrados rejeitaram recursos de BBVA, González e demais ex-diretores e mantiveram a instrução iniciada em 2018. O ex-magistrado Manuel García Castellón havia encerrado as investigações em 2024, apontando conhecimento da direção sobre os contratos com Villarejo.
BBVA deve ser a primeira empresa do Ibex 35 a enfrentar o julgamento no caso Villarejo. Outras companhias do grupo analisadas na macroinvestigação — como Repsol, CaixaBank e Iberdrola — foram desimputadas ou aguardam desfecho distinto, com decisões limitadas a partes específicas.
Entre os investigados para o BBVA, constam o ex-CEO Ángel Cano, o ex-chefe de segurança Julio Corrochano, o então diretor jurídico Eduardo Ortega e outros executivos. Também aparecem ex-responsáveis por Regulación y Control Interno e auditoria interna, além de colaboradores ligados à esfera Villarejo até 2018.
Do entorno de Villarejo, o juiz incluiu o comissário jubilado, o advogado Rafael Redondo, o ex-inspector Antonio Bonilla e um agente da Polícia Nacional para eventual julgamento. O andamento dependerá de pareceres da Fiscalía Anticorrupción.
A decisão permite a abertura de juízo oral, mas o despacho final depende da apresentação do escrito de conclusão provisório pela promotoria. Enquanto isso, as acusações privadas já apresentaram pedidos de condena para os altos cargos do BBVA e multas proporcionais.
A Corte examinou 11 autos para sustentar a indicação de julgamento contra a antiga direção do BBVA, o responsável de Segurança e comandantes vinculados a Villarejo. A defesa do banco sustenta descrédito das acusações e o desconhecimento dos encargos.
Não há conclusão sobre datas do julgamento nem penas propostas, que deverão constar no auto de abertura do processo. As informações indicam que o caso pode avançar para o escrutínio público ainda neste ano.
Entre na conversa da comunidade