Nelson Tanure fechou hoje a venda dos principais ativos da Ligga Telecom, antiga Copel Telecom, à Brasil TecPar por cerca de R$ 500 milhões, segundo fontes próximas ao assunto. O negócio inclui contratos de prestação de serviços de internet por fibra para residências, empresas e órgãos públicos. A operação não envolveu apenas ativos fixos, mas também parte do parque de clientes.
A transação ainda envolve a negociação da venda da operação de 5G da Ligga para a Unifique, conforme apurado. A parte de 5G não interessava à Brasil TecPar, segundo as mesmas fontes. A maior parte do pagamento será realizada por meio de debêntures conversíveis emitidas pela Brasil TecPar, com uma parcela sujeita a pagamento em dinheiro.
Parcialmente, a Brasil TecPar assumirá uma debênture de cerca de R$ 1 bilhão da Ligga, o que depende de autorização dos debenturistas. A Ligga é atualmente o maior provedor de serviços de internet no Paraná. Mesmo com a venda, a controladora permanecerá com ativos que somam mais de R$ 1 bilhão, entre créditos, imóveis, caixa e a operação de 5G.
Detalhes da operação
As negociações apontam que ainda há trabalho para o closing, com exigências de aprovação pela Cade e pela Anatel, além de outras condições contratuais. Após essas etapas, credores poderão decidir sobre a dívida do controlador. Os credores acompanharam o acordo com a assistência jurídica de Machado Meyer.
Participantes e assessorias
O processo foi acompanhado por assessores da Rothschild & Co. e do Bichara Advogados, representando a Ligga. Do lado da Brasil TecPar, atuaram Bradesco BBI e Pinheiro Neto Advogados. A Ligga também contou com assessoria jurídica para a operação.
Contexto financeiro
Tanure integrava o controle da Ligga desde 2020, quando assumiu a empresa após um empréstimo de aproximadamente R$ 1,2 bilhão com Farallon, Prisma, BTG e Santander. A estrutura de garantias incluiu ações da Light e da Alliança Saúde, entre 2022 e 2023, diante de tensões com credores.
Panorama de mercado
A Brasil TecPar, criada há 31 anos no Rio Grande do Sul, emerge como uma das consolidadoras do setor de banda larga no país e recebeu um aporte de R$ 300 milhões da Macquarie Capital no ano passado. A negociação indica movimento de reorganização de ativos no segmento de telecomunicações brasileiro.
Observações finais
A conclusão do negócio depende de aprovações regulatórias e de condições contratuais, com avaliação dos credores sobre a dívida vinculada ao controlador. O desenvolvimento do acordo será acompanhado pelas partes interessadas e pelo mercado.
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