A exportação de sorgo brasileiro para a China deve ganhar fôlego na segunda metade deste ano, após uma abertura recente de importação pelo país asiático. A oferta ainda está restrita no primeiro semestre, devido à competição com indústrias de ração e de etanol de grãos.
Segundo Gabriel Cordeiro, diretor-geral da Hang Tung no Brasil, o volumen tende a ficar limitado neste entressafra, já que a colheita começa a se intensificar apenas a partir de julho. A empresa é uma das maiores negociadoras do cereal no mundo.
A China habilitou dez companhias brasileiras para exportar sorgo em novembro do ano passado, em meio a um contexto de disputa comercial entre Pequim e Washington. Essa liquidez extra pode favorecer o produtor nacional.
O Brasil deverá colher 6,7 milhões de toneladas de sorgo na temporada 2025/26, um aumento de quase 10% ante o ciclo anterior, segundo a Conab. O volume é mais que o triplo do registrado há cinco anos.
Além da demanda chinesa, há impulso de indústrias de etanol de milho e sorgo, que passam a comprar o cereal para produzir biocombustíveis, ampliando o interesse pelo sorgo brasileiro conforme a safra avança.
Em janeiro, o Brasil exportou para a China pela primeira vez desde 2014, em volume de cerca de 25 toneladas. A expectativa é de aumento nos embarques à medida que novas licenças são concedidas.
Uma carga de 32 mil toneladas de sorgo está programada para partir ao Marrocos no início de março, conforme a Cargonave e a Agribrasil. Este volume já supera os embarques do ano passado, quase nulos.
Ainda que haja potencial para maior participação chinesa, há ajustes a serem feitos, como liberação adicional de empresas exportadoras. Cordeiro aponta que mais companhias devem obter habilitação.
Perspectivas para o segundo semestre
Otimismo para o crescimento do sorgo brasileiro permanece, com a safra avançando e a China potencialmente elevando compras. O mercado espera maior liquidez e maior participação de exportadores nacionais.
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