Lokichar, no norte do Quiripi Turkana, encara atraso na promessa do óleo. Em 2010, a Tullow Oil descobriu mais de 500 milhões de barris na região, celebrada pelo então presidente, mas a operação ficou paralisada em 2020. A infraestrutura permanece incompleta e a região espera sinais de progresso.
A venda da participação da Tullow para Gulf Energy Ltd. ocorreu em setembro de 2025, por US$ 120 milhões, com o governo keniano mantendo 25% do controle. A promessa é investir cerca de US$ 6 bilhões no desenvolvimento dos campos de Turkana.
Durante uma audiência em fevereiro, o chair da Gulf Energy, Francis Njogu, disse que a produção comercial deve começar até 1º de dezembro deste ano, iniciando com 20 mil barris/dia e aumentando para 50 mil até 2032. Ele prometeu empregos e oportunidades locais.
Contexto histórico
A população local [continua dependente de pastoreio], com secas recorrentes que fragilizam rebanhos e aumentam conflitos por água e terra. Comunidades registraram títulos de terra sob a Lei de Terras Comunitárias de 2016, fortalecendo participações locais na gestão do território.
O governo reconhece direito das comunidades a 5% das receitas nacionais de petróleo. O registro de títulos facilita acordos escritos e maior fiscalização sobre aquisição de terras, segundo autoridades locais.
Desafios e impactos
Entretanto, críticos questionam a condução do contrato com Gulf Energy, que pode ficar com até 85% da produção para cobrir o investimento, elevando a fatia do governo de receita apenas sobre o que sobra. A negociação sem licitação competitiva também é alvo de críticas.
O projeto ainda depende de licenças ambientais pendentes e de garantias sobre água, solo e meio ambiente. A segurança preocupa as comunidades, diante do aumento de violência entre grupos locais e a possibilidade de desordem semelhante a 2018.
Logística e perspectivas
O transporte do petróleo depende de vias terrestres, já que o traçado de um gasoduto de exportação até o porto de Lamu foi cancelado por custos. Inicialmente, até 200 caminhões podem ser usados para transportar até 20 mil barris diários.
Analistas divergem sobre o sucesso do empreendimento. Enquanto alguns lembram a necessidade de atuação rápida diante do cenário energético global, outros destacam riscos de custos crescentes e de retorno para as comunidades locais.
Veronica Lowoyan, proprietária de hotel em Lokichar, mantém expectativa cautelosa. Ela acredita que a região pode sentir melhorias, mas ressalta que ainda há muito a ser feito antes de ver ganhos reais para moradores locais.
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