Em meio a dúvidas sobre seu futuro político, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, está prestes a deixar o cargo. Ele afirmou ter cumprido a missão, mas decidiu permanecer para concluir temas pendentes. A expectativa é de que a saída ocorra neste mês.
Nos bastidores, o nome mais cotado para substituí-lo é o atual secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan. Haddad pode concorrer ao governo de São Paulo nas eleições de outubro, abrindo espaço para uma nova liderança na área econômica.
Entre as ações de Haddad que geraram repercussão estão os ajustes fiscais com foco em arrecadação, a promessa de cumprir metas de resultado primário e a condução de negociações com o Congresso para sustentar o arcabouço fiscal. Agora, o tema volta a ganhar relevância com a possível transição técnica.
Dívida pública e o arcabouço fiscal
Segundo dados oficiais, a Dívida pública chegou a 79% do PIB em novembro de 2025 e pode atingir 81,7% em 2026, conforme projeções do Tesouro Nacional. Market expectations apontam até 84,9% do PIB, segundo o Prisma Fiscal.
Economistas questionam a sustentabilidade do crescimento da dívida sob o atual arcabouço fiscal. A crítica é à fragilidade de regras fiscais que não asseguram, por si sós, a trajetória de estabilidade macroeconômica. A visão contrasta com declarações oficiais de cumprimento de metas.
Agenda de arrecadação e impactos políticos
Haddad ganhou o apelido informal de Taxad devido ao foco na arrecadação para equilibrar as contas. A agenda envolveu desonerações, reonerações de combustíveis e a aplicação de medidas parafiscais, usadas para ajustar números sem mudanças estruturais profundas.
A condução política das propostas no Congresso ocorreu com negociações frequentes sob a presidência de Arthur Lira. A relação entre governo e Câmara foi estável em momentos, mas marcada por acordos que exigiram revisões posteriores.
Crises e celebração de metas fiscais
Entre os episódios que marcaram o governo, houve episódios públicos de disputa sobre o monitoramento de transações no PIX e anúncios precipitados de contenção de gastos, que geraram desgaste político. Em 2024, houve também debates sobre isenção do IR para rendimentos mais altos.
Ao final de 2025, o governo aprovou o Orçamento de 2026 com meta de superávit primário de 0,25% do PIB. A prática ocorreu por meio de contenção de despesas e ajustes já realizados, transferindo parte do custo do ajuste para administrações futuras.
Legado e perspectivas
Economistas destacam avanços como a reforma tributária sobre o consumo e reformas legais associadas a garantias de crédito. Ainda assim, reconhecem que o legado de Haddad é ambíguo, com impacto limitado na sustentabilidade de longo prazo da dívida sob o arcabouço vigente.
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