Jeff Kaplan, veterano de 19 anos na Blizzard, deixou a empresa em 2021, dois anos antes do lançamento de Overwatch 2. O diretor do título, que virou a franquia de maior sucesso recente da empresa, revelou agora os motivos por trás da decisão. A questão central envolve gestão interna e a pressão crescente por lucros.
Ao longo da trajetória, Kaplan aponta que a equipe deveria manter o foco no conteúdo pós-lançamento, com eventos vivos e atualizações. Segundo ele, a aposta da Activision Blizzard na esportes profissionais desviou recursos da equipe de desenvolvimento para a Overwatch League.
Overwatch League e pressão por lucros
Kaplan descreve a Overwatch League como um projeto grandemente promovido, com promessas financeiras excessivas que não se materializaram. A liga foi criada com expectativa de receitas elevadas, mas acabou não prosperando como o esperado e foi encerrada em 2023, segundo reportagens de mercado.
A depender de receitas de microtransações para sustentar o esports, a empresa teria redirecionado verbas de desenvolvimento para monetização interna. O diretor afirma que esse desvio comprometeu a capacidade de manter o jogo dinâmico e de investir em novas conteúdos.
Momento de decisão e consequências
O depoimento de Kaplan envolve uma reunião com o CFO da época, em que ele recebeu metas de receitas recorrentes para 2020 e projeções para 2021. Segundo o relato, houve a ameaça de demissões caso os números não fossem atingidos, o que o atingiu profundamente.
Embora não cite nomes, Kaplan comenta que o executivo em questão era o responsável financeiro da época e que a pressão foi decisiva para sua decisão de se afastar. Ele também lembra o impacto emocional da saída, considerada uma experiência dolorosa.
Depois da Blizzard
Após deixar a Blizzard, Kaplan teve um período de reflexão sobre o valor do trabalho dos desenvolvedores e o tratamento dado aos profissionais criativos. Ele afirmou desejar que a indústria reconheça o próprio valor e evite colocar interesses financeiros acima do desenvolvimento de jogos.
Ao longo da entrevista, o ex-diretor reforça que sua decisão não foi apenas profissional, mas também pessoal, marcada pela sensação de ter enfrentado um ambiente de ritmo intenso e pressões desproporcionais.
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