O Ministério da Agricultura do Brasil informou que aumentou as inspeções nos embarques de soja destinados à China, após detectar repetidamente grãos com vestígios de pesticidas e fungicidas. As ações são resultado de solicitações de Pequim e afetam o fluxo de exportação do país. Quatro fontes comerciais confirmam o novo rigor nos controles.
Segundo fontes, as alfândegas chinesas já vinham apontando problemas em lotes brasileiros, incluindo presença de insetos vivos, grãos com tratamentos de sementes e danos causados pelo calor. Exportadores precisam confirmar, antes da partida, que as remessas estão livres de falhas fitossanitárias para evitar bloqueios na chegada.
O aumento das checagens ocorre na alta temporada de exportação e pode reduzir o ritmo de entregas para a China, maior importador mundial. Se os prazos de liberação se alongarem, o envio para março e abril pode diminuir. A indústria avalia possíveis impactos na oferta global.
Impacto no abastecimento e custos
O tempo de espera nos portos brasileiros para certificação elevou os custos de demurrage, somando-se às tarifas de frete mais altas. A taxa de frete de Panamax do Porto de Santos aos portos norte da China subiu cerca de 24% em março, conforme a Mysteel.
Vendas de soja brasileira para a China recuaram diante dos controles e dos fretes mais elevados. Em abril, a cotação de entrega, após inclusões de custo e frete, ficou em torno de US$ 1,22 por bushel, acima de US$ 1,12 observados no fim de fevereiro.
As importações chinesas de soja caíram 7,8% nos dois primeiros meses do ano, em parte pela safra brasileira mais lenta e pelo tempo maior de desembaraço alfandegário. O farelo de soja na bolsa de Dalian atingiu o maior valor desde julho de 2024, com expectativa de melhoria temporária.
Envolvidos e próximos passos
O presidente da unidade brasileira da Cargill informou à Reuters ter interrompido exportações de soja para a China. Autoridades chinesas e a embaixada do Brasil em Pequim não responderam aos pedidos de comentário.
Economistas apontam que, embora haja uma janela para fornecedores norte-americanos aumentarem vendas à China, a situação pode depender de evolução diplomática e de contingências logísticas a partir da duração dos novos cheques.
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