Cathie Wood, investidora de destaque de Wall Street, visita a América Latina em meio a incertezas globais. Ela fala sobre oportunidades locais, expansão de ETFs ligados à IA e a percepção de que empresas latino-americanas enfrentam cenários voláteis com mais preparo para adaptar-se.
A gestora da ARK Investment disse à Bloomberg Línea que a região tem perfil adequado para incluir ativos de inovação em carteiras globais. Wood acredita que a experiência em volatilidade ajuda empresas locais a navegar ciclos macroeconômicos desafiadores.
A visita incluiu Colômbia, Peru e Chile, países que avançam na integração de bolsas. Em Bogotá, Lima e Santiago, foram apresentados os ETFs da ARK em parceria com a Capital Strategies, com negociações no Mercado Global Colombiano e no Peru.
O que a ARK busca na região
Wood sinaliza que os ETFs chegam para oferecer exposição a IA, robótica, genômica e tecnologia financeira. A proposta visa ampliar o acesso a ativos internacionais por meio de plataformas locais, sem replicar diretamente índices tecnológicos dos EUA.
A executiva destacou o interesse de investidores latino-americanos pela inovação. Em entrevistas, reforçou que há demanda por soluções que combine tecnologia de ponta com mercados da região.
A estratégia envolve uma composição com peso relevante de setores tradicionais, mas busca ativos com menor correlação aos bancos e serviços públicos. A ideia é diversificar dentro de mercados da região.
Impacto e desempenho recente
A carteira de fintechs do ARK Blockchain & Fintech Innovation já inclui Mercado Livre e Nubank, segundo Wood. Essas empresas representam cerca de 5% do fundo e refletem o foco regional em tecnologia financeira.
Ao mesmo tempo, o desempenho de fundos da ARK apresenta desafios, com alguns veículos registrando quedas de longo prazo enquanto outros avançam com apostas em IA. A gestão mantém projeções positivas para a inovação.
Wood afirma que o custo de treinamento em IA está caindo rapidamente, o que reduz barreiras de entrada para novas empresas. Ela reforça que a regionalização facilita a descoberta de talentos e setores de alto potencial.
Perspectivas para IA e geopolítica
A executiva compara o atual ciclo de IA com a bolha das pontocom, destacando diferenças estruturais. A aposta é que a infraestrutura tecnológica já encontra demanda real desde o início, com receitas crescentes em players como OpenAI.
No âmbito geopolítico, Wood cita o Irã e a volatilidade associada ao petróleo como fatores de risco, mas aponta que mercados podem manter patamar próximo de máximas históricas diante de cenários regulatórios estáveis.
Ela também sustenta que o bitcoin pode consolidar-se como classe de ativo, mantendo visão de que o ativo emergente tende a ocupar posição de liderança no ecossistema cripto, ainda em fase inicial de adoção institucional.
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