O fluxo de capitais parecia favorável aos fundos multimercado, mas a guerra global mudou o cenário de forma abrupta. Em março, 80% dos 243 fundos avaliados apresentaram desempenho negativo, segundo levantamento exclusivo da Outliers Advisory com dados até o dia 17.
Na média, os multimercados tiveram queda de 1,7% no mês. Quase metade (44) registraram perdas superiores a 3%, e há fundos com retornos negativos acima de 10%. Os números mostram um mês particularmente difícil para o setor.
A explicação envolve uma virada nos ativos locais e o impacto da guerra. Quando houve maior otimismo com fluxo estrangeiro para o Brasil, o conflito acelerou o recuo nos preços de ativos e derrubou ganhos anteriores. As perdas atingiram diferentes classes de ativos.
Contexto de março: impactos, liquidez e volatilidade
Gerentes de investimento relataram que o efeito imediato da guerra foi a perda de valor de ativos e a falha de estratégias de proteção, os chamados hedges. A volatilidade se intensificou e a inflação passou a ser preocupante para as curvas de juros globais.
No Brasil, o Tesouro publicou leilões de recompra de títulos pré-fixados e atrelados à inflação com o objetivo de prover liquidez ao mercado. A atuação foi descrita por gestores como precisa diante de um ambiente disfuncional de preços.
Perspectivas e desempenho anual
Dados da Outliers indicam que o dólar se valorizou, enquanto o ouro perdeu valor, em parte pela necessidade de liquidez para cobrir perdas. Analistas reportaram que fundos macro/hedge reduziram exposição bruta e esperam maior visibilidade para retornar a operações de maior risco.
Para o ano, o retorno médio dos multimercados ficou em 1,3%, abaixo do CDI, com apenas 24% dos fundos conseguindo superar o CDI. Em 12 meses, o rendimento médio é de 15%, frente a CDI de 14,75%, e metade dos fundos superou o CDI nesse intervalo.
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