O setor de processamento de soja pediu ao governo brasileiro que autorize o aumento da mistura de biodiesel no diesel para enfrentar a crise de preços provocada pela guerra no Oriente Médio. A Abiove afirmou à Reuters que o país pode avançar para uma mistura de 20% de biodiesel, o que seria o B20, caso haja demanda suficiente no mercado.
Segundo Daniel Amaral, diretor de assuntos econômicos da Abiove, as autoridades deveriam permitir misturas acima do mínimo legal sempre que a demanda justificar. Ele ressaltou que a medida ajudaria a amortecer choques de preço e citou a necessidade de avaliar a viabilidade econômica em cada cenário.
A demanda por combustíveis e o preço do diesel seguem pressionados pela tensão entre EUA, Israel e Irã. A Abiove informou que o Brasil importa cerca de 25% do diesel consumido, com o restante sendo produzido pela Petrobras, o que amplia a sensibilidade a variações de preço internacionais.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, disse recentemente que são necessários mais testes antes de elevar a mistura obrigatória, que hoje é de 15%. A avaliação envolve impactos técnicos, logísticos e de oferta no curto prazo.
No aspecto inflacionário, há receios de que o aumento da demanda por óleo vegetal para uso culinário eleve custos. Ainda assim, Amaral destacou que a safra recorde de soja brasileira, estimada em ~180 milhões de toneladas, pode ampliar a produção de biodiesel sem comprometer demais o abastecimento de alimentos.
O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, afirmou que o tema não é uma meta imediata, mas está na mesa em resposta a perguntas sobre possível elevação para 16% durante a crise. Ele reforçou que o debate envolve preocupações macroeconômicas e agrícolas do país.
Em meio ao cenário, a Abiove sustenta que o aumento de biodiesel não entra em conflito com a alimentação. O diretor ressaltou que o incremento pode ampliar a oferta de biodiesel e de ração animal, contribuindo para reduzir custos setoriais.
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