O ministro dos Transportes, Renan Filho, minimizou a mobilização dos caminhoneiros em direção a uma paralisação motivada pela alta do diesel. Em entrevista ao jornal O Globo, ele questionou a unidade de interesses da categoria e apontou viés político-partidário na movimentação.
Renan Filho afirmou que não vê movimento espontâneo, apenas interesses difusos, com parcela política que estimula a ação. Após acordo com o governo, entidades que representam caminhoneiros suspenderam a greve, mantendo estado de alerta. O ministro pediu fiscalização de todos os fretes para combater o descumprimento do piso mínimo.
Para viabilizar o acordo, o governo comprometeu-se a fiscalizar fretes e a vedar contratação de motoristas por empresas que insistirem nas irregularidades. O ministro informou, ainda, que negocia com o STF ajustes à regra de descanso dos motoristas para evitar impactos em ano eleitoral.
Contexto da crise: relação com o petróleo e medidas públicas
A crise de diesel está associada a tensões internacionais decorrentes de uma operação entre Estados Unidos e Israel, que impactou o Irã e levou ao fechamento do Estreito de Ormuz, rota-chave para o abastecimento mundial. Com isso, o preço do barril subiu e o diesel ficou mais caro.
O governo federal anunciou medidas para conter os preços. O presidente Lula zerou PIS e Cofins do diesel e autorizou uma subvenção de cerca de 10 bilhões de reais, para manter estável o preço do combustível. A expectativa é reduzir o valor do litro em até 0,64 real.
A Petrobras aderiu à política de subsídio, mas elevou o preço do diesel em 0,38 real por litro logo após a adesão. Segundo a presidência da estatal, o reajuste poderia chegar a 0,70 real sem o apoio governamental.
Essas ações visam evitar repetição da greve de 2018, que mobilizou caminhoneiros em 24 estados mais o Distrito Federal e causou desabastecimento no país.
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